Seu cliente travou… e agora, o que fazer? Congelamento Clínico. pt 2

congelamento

Dando continuidade ao texto anterior, compreendemos que muitos são os fatores que fazem com que seu cliente não consiga dar o próximo passo e sofra com o congelamento. Hoje iremos abordar mais dois aspectos da lista total que foi compartilhada:

  1. Falta de segurança no campo
  2. Falta de indiretividade nas sugestões

FALTA DE SEGURANÇA NO CAMPO

Sentir-se seguro é um estímulo importantíssimo para aumentar nossa disponibilidade no uso dos recursos internos. Erickson, em sua literatura, clarifica que a experiência de segurança é vital para abertura do cliente perante si mesmo, visando acessar um grau maior de profundidade em seu processo de imersão.

Enquanto o cliente não estiver se sentindo seguro, seus mecanismos de sobrevivência (aquilo que ele faz para se defender das situações onde ele percebe certo grau de ameaça) estarão atuando, evitando que ele possa avançar diante de sua cura.

O processo de segurança pressupõem dois aspectos importantes:

  1. Segurança relacional
  2. Segurança auto relacional

A segurança relacional vai sendo criada na medida em que o terapeuta vai irrigando a conexão com o cliente através de atitudes como aceitação, compreensão, interesse genuíno pelo bem-estar, e explorando com o mesmo, o que mais precisaria estar presente para ele acessar um nível satisfatório de segurança.

Aqui, dois aspectos surgirão como elementos para incluirmos no capítulo da segurança relacional:

  1. Informações necessárias
  2. Tempo

As informações necessárias falam das experiências que os clientes precisam receber para se sentirem seguros. Alguns precisam de aceitação, outros compreensão, outros de clareza e, na medida em que as mesmas se tornam presentes, oferta a condição adequada para eles não se sentirem ameaçados e se abrirem mais profundamente perante si mesmos.

O tempo fala da continuidade de exposição que o sistema do cliente necessita receber para que aquela respectiva informação possa fazer o sistema do cliente se sentir seguro.

Em ambos aspectos, de informação necessária e de tempo, a dinâmica interna da pessoa pode estar travando durante o processo clínico, por necessitar dessas respectivas experiências para conseguir imergir com maior profundidade em si mesmo.

Já no caso da segurança auto relacional, a mesma surge quando o cliente, sentindo-se seguro para mergulhar no próprio universo interior, defronta-se com uma intensidade de sofrimento que ele não dá conta, congelando o seu processo de cura.

Diante de tal situação, o terapeuta está sendo convidado a explorar recursos que precisam ser lembrados e/ou desenvolvidos, para gerar uma certa condição de estabilização, permitindo sua abertura para acessar as informações desempoderadoras.

 

FALTA DE INDIRETIVIDADE NAS SUGESTÕES

Ao verificar o quanto a mente consciente pode encontrar limitações, diante dos recursos que lhe estão acessíveis, para encontrar saídas dos sofrimentos que as pessoas passam, Erickson propõem o modelo de sugestões indiretas, por perceber que as mesmas falam mais diretamente com a mente inconsciente.

Ao criar um caminho para ativar mais a mente inconsciente, Erickson queria que novas associações, trazendo informações mais amplas e mais profundas, expandissem os limites da mente consciente e expandisse as possibilidades para as pessoas superarem suas dificuldades.

Dessa forma, um item importante para verificar o congelamento de nossos clientes é realizar a seguinte pergunta: estou compartilhando intervenções que ativam mais a mente consciente ou inconsciente do mesmo?

E as informações para construirmos essa resposta está em verificar o nível de indiretividade das estratégias que estamos compartilhando.

Mas o que é indiretividade das estratégias?

Erickson percebeu que o inconsciente responde mais facilmente para estímulos criativos e simbólicos, ou seja, não repetitivos e metafóricos.

Quando falamos de indiretividade, estamos fazendo menção ao grau de criatividade e simbolismos das sugestões que estamos usando, pois, ao usarmos sugestões não indiretas (sugestões diretas), estamos ativando a mente consciente de nossos clientes e, por causa disso, também ativando as formas atuais que provaram não serem capazes de lidar com sua nova demanda.

Assim, a indiretividade na sugestão visa gerar associações novas e mais poderosas que expandam a compreensão, com perspectivas mais amplas, e maior empoderamento, pelo acesso a novos e mais produtivos recursos. Para ler a parte 1 deste artigo sobre congelamento clínico, clique aqui.