Decodificando informações explícitas e implícitas de um contexto clínico

implícitas

Resumo: Esse texto busca atingir os seguintes objetivos: 1. Clarificar os conceitos sobre as  “informações explícitas e implícitas” de um contexto. 2. Indicar as principais características desses dois tipos de informações 3. Indicar o significado das estratégias de exploração interna e como elas contribuem para compreensão dos elementos mais profundos dos estados psíquicos. Nessa segunda parte iremos abordar as características das informações implícitas e como construir com seu cliente, através de estratégias de exploração e aprofundamento, as habilidades para acessar esse tipo de informação.

CARACTERÍSTICAS DAS INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS

Se as características explícitas dos conteúdos psicológicos, como indicamos no texto anterior, fazem menção aos seus aspectos exteriores e superficiais, a informação implícita sempre irá revelar  o conteúdo mais profundo, que está na base central dos nossos processos interiores (pensamentos, sentimentos, sensações e comportamentos).

E por que é tão importante acessar tais informações no contexto clínico? 

O acesso ao implícito gera a consciência da força orientadora, na forma de um significado, que está na base das experiências de um cliente através de um sentido (um fluxo para curar ou desenvolver algo) que, quando compreendido com qualidade,  auxilia no ajuste entre terapeuta e cliente  de qual ou quais são as reais necessidades clínicas,  que determinadas informações de desempoderamento (tristeza, raiva, ansiedade, etc) vem informar. 

Ao explorarmos, por exemplo,  uma emoção de medo, em suas características implícitas, sempre iremos  compreender que o “medo em si”, é uma manifestação periférica e superficial de uma necessidade profunda, que possuí um sentido indicando algo que está sendo convidado a ser acolhido e cuidado, tornando o medo uma ponte que permite chegar em informações que clarificam os verdadeiros objetivos clínicos.

A compreensão ajustada às verdadeiras necessidades, auxilia o terapeuta a construir estratégias que ofertem estímulos que nutram os processos de desenvolvimento e cura, e que por isso, se transformem em estímulos coerentes com as reais necessidades terapêuticas.

Visando esclarecer melhor a importância no uso das estratégias ericksonianas de termos consciência  das informações implícitas,  gostaria de fazer um parênteses para abordar dois tipos de características que podem tornar as sugestões indiretas, instrumentos poderosos para potencializar o caminho das aprendizagens clínicas.

Podemos dizer que existem dois aspectos importantes das sugestões indiretas:

  1. Aspecto Geral
  2. Aspecto Singular

O aspecto geral fala das características que  toda sugestão deve ter, para ser indireta e conseguir potencializar as associações da mente inconsciente

 Erickson dizia que as sugestões para serem indiretas, devem apresentar as mesmas características “criativas e simbólicas” do funcionamento do inconsciente  sendo o criativo o seu aspecto “não repetitivo”, e o simbólico o seu aspecto  “metafórico”.

Dessa forma, em Hipnose Ericksoniana, não importa que tipo de estratégias utilizaremos  do seu imenso repertório: sequências de sins e nãos, semear, reenquadramento, etc… ao observarmos as características das mesmas, percebe-se que todas , em algum nível, incorporam o aspecto geral que as tornam indiretas(ser criativa e metafórica).

Assim as estratégias, por terem a mesma linguagem do funcionamento do inconsciente, aumentam em muito a probabilidade de ativar suas associações e favorecer uma expansão das perspectivas e  estados emocionais de uma pessoa.

Já no seu aspecto singular, o ajuste acontece objetivando realizar um alinhamento ao sistema do cliente, tornando a estratégia mais conectada com sua singularidade.

E esse ajuste, mais  fino e contextualizado, possuí duas característica importantes: a característica de ressonância e de coerência. 

Ressonância é quando sua estratégia fica alinhada ao perfil de uma pessoa, por incorporar nela,  as condições de sua linguagem e de sua individualidade. 

Exemplo: se o mesmo tiver uma linguagem mais simples, você deixará sua sugestão também com uma linguagem mais simples.. se for mais elaborada, você realizará ajustes para deixá-la  mais elaborada.

Aqui a sugestão, incorporando aspectos pertencentes  as condições expressivas de alguém, cria um fenômeno de familiaridade, o que aumenta em muito a capacidade dela ser incorporada pelo seu sistema interno.

No segundo aspecto, que fala do aspecto  de coerência de uma estratégia, o ajuste é feito para que a sugestão indireta possa estar conectada às necessidades clínicas de seu cliente.

Toda sugestão, de forma simbólica, oferta uma mensagem que carrega um “tema de nutrição”, visando fortalecer e integrar, uma necessidade profunda. Quantas vezes o medo, indica a necessidade de encontrar uma segurança básica de vida importante, que faltou ser construída em determina fase do seu processo vital.

Assim como tema (ou mensagem que ofertamos) uma sugestão será coerente, levando em consideração o exemplo acima, quando ela ofertar uma mensagem que “estimule  a sede que está na base desse medo”, referente a necessidade  de construir uma segurança básica interna (e que em cada situação irá indicar necessidades diferenciadas).

Quando a mensagem da nossa sugestão é alinhada com o tema que está base de uma necessidade implícita,   isso ativa as associações inconscientes para construir informações corretivas, que reestruturam as associações de dor e sofrimento, assim como potencializa os impulsos para novos desenvolvimentos ( e talvez os dois fatores ao mesmo tempo).

Importante esclarecer que na base das informações implícitas, vamos encontrar dois tipos necessidades (organizadas de tantas formas quanto sejam possíveis, em razão da singularidade que envolvem as pessoas):

  1. Aprendizagens incompletas
  2. Impulsos para novos desenvolvimentos

As aprendizagens incompletas falam a respeito de experiências vividas, em vários momentos da nossa trajetória de vida, em especial as fases iniciais (mas não obrigatoriamente), em que uma necessidade específica (segurança, afeto, etc…) recebeu um nível acentuado de negligência ou de agressividade, formando então uma organização interna de associações emocionais e perceptivas de dor, que emergem com informações desempoderantes, que atrapalham o fluxo harmônico de crescimento e adaptação no dia a dia.

Vamos imaginar, como exemplo, uma pessoa que não recebeu de sua figura paterna, um cuidado e afeto, gerando uma percepção de que “eu não sou suficiente para ser amado e, por isso, não sou merecedora de amor” (não necessariamente que todas as pessoas que passem por isso, irão construir essa mesma realidade interna. Cada ser humano é único, e constrói percepções totalmente originais).

Esse percepção de “não ser suficiente… e não ser merecedora” para receber amor, indica uma aprendizagem incompleta, de uma parte que não recebeu as informações afetivas com qualidade, para construir um sentimento de suficiência.

Por gerar sofrimento interno, e não receber o  suporte necessário do meio, visando internalizar uma informação que seja corretiva à essa carência interna, o sistema psíquico, busca estratégias para sobreviver a dor.

Construindo os meios que sejam possíveis, para buscar se proteger do sofrimento, pode construir como estratégia de sobrevivência a percepção de que “o amor é perigoso”, e por isso, “deve ser evitado”.

Então você tem um cliente que chega ao consultório, com a queixa de que ele não consegue levar a frente os relacionamentos afetivos, porque  sente um “medo inexplicado de sofrer”.

No exemplo acima, acessar as informações implícitas, significa compreender que na base do  medo de amar, existe um significado de “não se sentir suficiente e, por causa disso, não merecedor de receber o amor”.  

Dessa forma o  implícito  quando indica aprendizagens incompletas, sempre vai deflagrar uma necessidade, que por ter sido agredida ou não alimentada com qualidade,   forma-se com associações emocionais de dor e sofrimento, e percepções limitantes a respeito de si mesmo e da vida.

Ao reconhecermos sua verdadeira demanda e compreender a sede de suas necessidades, conseguimos construir estratégias alinhadas com informações que verdadeiramente sejam importantes, para que essa parte , se reorganizando, possa se tornar uma aprendizagem um pouco mais completa, e empoderar o ser.

Já os impulsos de novos desenvolvimentos, como informações pertencentes ao hall das influências implícitas,  referem-se a um direcionamento natural, gerado pelo nosso sistema psíquico, visando aflorar nossa autenticidade, e promover amadurecimento aos variados contextos da vida.

O inconsciente, segundo Erickson,  é uma fonte de desenvolvimento e amadurecimento, organizando impulsos e informações voltado a melhorar a adaptação do ser, perante ele mesmo e o mundo, através do afloramento de novos recursos.

Durante o desenvolvimento do nosso ciclo vital, apesar do nosso sistema mobiliar impulsos para novas habilidades, por variadas razões, o ser pode suprimir tais convites para o seu crescimento, abafando essas tendências.

Esses impulsos suprimidos, podem gerar certas condições emocionais e simbólicas, como uma reação natural do sistema psíquico, para burlar a supressão sofrida, objetivando encontrar  caminho até a consciência.

Podemos então verificar na base de determinadas dificuldades de nossos clientes, a presença desses impulsos suprimidos, gerando um sentimento de insatisfação, que merece ser reconhecido, explorado e desenvolvido.

A melhor metáfora que poderíamos fazer, para representar essa característica de informações implícitas, seria de  uma pessoa, morando em um prédio  com muitos andares onde, em cada um deles, é possível encontrarmos um espaço maior, permitindo maiores possibilidades de construção.

Quando essa pessoa descobre um determinado andar, ela encontra condições inumeráveis para dar expansão as forças de sua autenticidade e desenvolvimento, se sentindo motivada para construir.

Porém, na medida em que ela vai explorando e realizando as possiblidades daquele andar, tornando os “novos” aspectos em potenciais em “verdadeiros”  aspectos reais, o espaço vai ficando pequeno, e o ensejo para construir novas descobertas, vai gerando um sentimento de insatisfação.

Com o tempo essa insatisfação, que vai crescendo através de um desconforto constante, só pode ser superada, com a descoberta de um novo andar desse prédio para, em um espaço com maior possibilidades que o anterior,  dar mais espaço as novas demandas de sua autenticidade.

Dessa maneira, as informações implícitas de um contexto clínico, sempre vai indicar feridas a serem cicatrizadas (aprendizagens incompletas) e necessidades para o desenvolvimento de novas habilidades (impulsos para novos desenvolvimentos).

FORMAS DE EXPLORAÇÃO DO IMPLÍCITO

Identificando o quanto  é importante que a nossa intervenção possa estar alinhada as necessidade profundas de nosso cliente e que, para isso, é necessário que estejamos conscientes das informações implícitas do mesmo talvez, a grande pergunta  que nos resta fazer (já que as perguntas são a antecâmara das respostas) seja: como podemos chegar até esse nível de informação? Como podemos acessar as informações implícitas de uma experiência clínica?

Sabendo que o cliente não sabe como acessar essas informações e que nós, como terapeutas, inicialmente nos defrontamos com um discurso clínico embasado em sua percepção “explicita” do problema, iremos precisar de caminhos para aprofundar a percepção do mesmo, visando acessar os significados profundos que estão na base de suas experiências de desempoderamento.

Nomeamos tais caminhos de “estratégias de exploração do implícito”, e o que elas fazem  é direcionar o foco do cliente para sua interioridade para, através de determinados estímulos, proporcionar uma objetivação  dos significados profundos.

A objetivação refere-se a ação de construirmos percepções que se conectam as informações de um significado, auxiliando o mesmo a se tornar acessível, para ser reconhecido, compreendido e trabalhado.

Seria como se a informação implícita fosse um corpo invisível repleto de significado, e que ao acessarmos esse corpo, começamos a envolvê-lo com uma pele, forma e vestimentas que se encaixam com seu tamanho, permitindo a materialização dessas informações e, como consequência, um melhor manejo clínico do terapeuta.

Durante a prática da exploração do implícito vamos estimulando o cliente a associar dados   sensoriais, ideacionais, visuais e circunstanciais  que melhor se encaixam no significado que está presente, fazendo com o que essa compreensão profunda se torne concreta para o diálogo e intervenção. 

E compreender aqui significa ter consciência das necessidades profunda que estejam na base das experiências, direcionando para que as intervenções ofertem a nutrição ou os estímulos de desenvolvimento, contribuindo para os objetivos clínicos de nosso cliente

Durante sua formação, o ACT Institute treina seus alunos em diversas estratégias de exploração do implícito, pois sem essa conexão as nossas ações interventivas, não conseguem ter a profundidade suficiente para promover resultados verdadeiros e, por causa disso, duráveis.

Para ler a parte 1, clique aqui. 

Alexandre Coelho

EXPLORAÇÃO DO IMPLÍCITO

COMO CHEGAR NELE?

– PRÁTICAS EXPLORATÓRIAS

– CRIACONDIÇÕES

– ESTIMULAOFERTA (ELEMENTOS PERCEPTIVOS)

– VISANDO ACESSAR (SIGNIFICADOS PROFUNDOS)

IMPLÍCITO E SIGNIFICADO

– INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS: SIGNIFICADO

– COMPREENSÃO SIGNIFICADO

– AUXILIARÁCOMPREENDER

NECESSIDADE DIRECIONAMENTO E RITMO.

MAS O QUE É ISSO ALEXANDRE?

EXPLORAÇÃO DO IMPLÍCITO

OBJETIVAR IMPLÍCITO

– TORNAR SIGNIFICADO 

– PERCEPTÍVEL VISANDO CLAREZA

– DE SUAS INFORMAÇÕES

CONSEQU?NCIAS OBJETIVAÇÃO

– CLAREZASIGNIFICADO

– GERA PROCESSO DIALOGAL

– AMPLICANDO COMPREENSÃO

– E SENDO POSSÍVEL CONSTRUIR UM PONTO DE RESOLUÇÃO