A personalidade ainda é um tema instigante para aqueles buscam sua compreensão. Isso porque não há uma definição exata de como ela construída e quais os principais fatores que a influenciam. A única base que temos são os princípios do ponto de vista de estudiosos — as teorias da personalidade.

A palavra personalidade vem do latim persona, máscara teatral que artistas usavam para interpretar diferentes papéis e identidades nos palcos. O que define a personalidade de um indivíduo é a sua construção pessoal, baseada nas características de seu temperamento.

Chamamos de personalidade o conjunto de características cognitivas, afetivas e volitivas que formam a construção pessoal de um indivíduo. Ela está diretamente ligada à forma como interiorizamos nossos sentimentos, pensamentos, valores e experiências.

Embora pareçam a mesma coisa, é importante diferenciar personalidade de comportamento. Enquanto a primeira está ligada às atitudes, ações e reações (pois relaciona-se à interiorização dos sentimentos), o comportamento na verdade é a exteriorização daquilo que define a nossa personalidade.

A teoria da personalidade ao longo da história

O desejo de desvendar os mistérios da personalidade vem de muitos e muitos séculos, especificamente do século IV a.C., na Grécia Antiga. Hipócrates, considerado o “pai da medicina”, criou a teoria dos humores corporais, que inspirou Galeno a desenvolver a tipologia acerca dos temperamentos.

Galeno definiu quatro tipos de temperamentos primários: sanguíneo, no qual o humor corporal é predominante do sangue; colérico, caracterizado por ser facilmente irritável; melancólico, mais sensível e introvertido; e fleumático, mais calmo e conciliador.

Essas teorias incentivaram o surgimento de outros estudos que resultariam, séculos mais tarde, nas teorias da personalidade — mais precisamente no século XX, quando efetivamente psicólogos e psiquiatras, a fim de tratar transtornos mentais, mergulharam fundo nas pesquisas buscando embasamento teórico sobre a personalidade.

Dentre as teorias da personalidade mais conhecidas hoje estão a de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, que serão apresentadas neste conteúdo.

Teoria da personalidade segundo Freud

É também conhecida como teoria psicanalítica da personalidade, devido à psicoterapia — prática defendida pelo neurologista austríaco Sigmund Freud.

Para Freud, toda ação é movida por forças internas, que estão diretamente ligadas ao prazer, ou seja, para ele o desenvolvimento da personalidade é regido pela libido.

A personalidade é desenvolvida no indivíduo quando criança, tendo como motivadores primários os impulsos sexuais e agressivos. A fim de explicar a sua teoria, Freud subdividiu a estrutura da personalidade em três sistemas: o id, o ego (eu) e o superego (eu superior).

  • id: seria o sistema original da personalidade, ligado às ações primárias e às pulsões inconscientes, ou seja, as satisfações e prazeres corporais.

  • ego: lado racional, que obedece aos princípios da realidade, controlando os impulsos do id.

  • superego: lado da personalidade responsável pelos valores sociais e morais. É o superego que dá a noção de certo e errado ao indivíduo.

Segundo Duane e Sydney Schultz, autores do livro Theories of Personality, a subdivisão do ponto de vista de Freud explica os processos psicológicos trabalhando juntos, funcionando como um todo na personalidade, onde o id desempenha o fator biológico, o ego o psicológico e superego o social.

Embora apresente os conceitos de consciente e subconsciente e a ideia de que a personalidade tem relações com a infância, a teoria de Freud acaba sendo um tanto quanto limitada por apontar motivações sexuais e agressivas como fatores determinantes a todas as ações do indivíduo.

Teoria da personalidade junguiana

Para Carl Gustav Jung, a personalidade — ou psique, como ele a chamava — é formada por sistemas isolados que atuam de forma dinâmica uns sobre os outros.

O psiquiatra e psicoterapeuta era um estudioso assíduo, bebeu de várias fontes e por muito tempo foi um dos discípulos de Freud. Embora viesse a usar suas referências sobre consciente e subconsciente, Jung não concordava com a visão de Freud sobre os fatores de motivação da personalidade.

Na visão junguiana, existem quatros funções psicológicas básicas (sentir, pensar, perceber e intuir) e dois tipos de caráter (introvertido e extrovertido). Cada indivíduo desperta em si uma função básica e um tipo de caráter, originando assim a sua personalidade.

Ao todo, a teoria de Jung apresenta oito tipos de personalidade:

Reflexivo extrovertido

Personalidade de indivíduos mais racionais e objetivos, que geralmente apresentam cargos importantes. Os reflexivos extrovertidos são céticos, pouco sensíveis, narcisistas, prepotentes e manipuladores.

Reflexivo introvertido

Pessoas com essa personalidade são definidas pelo lado intelectual e um forte apego à filosofia. Embora sejam muito interessantes, possuem dificuldade de relacionamento e são bastante teimosas.

Sentimental extrovertido

Essa psique é facilmente encontrada em mulheres. Os sentimentais extrovertidos são empáticos e compreensivos, possuem facilidade de comunicação e relacionamento, forte poder de sedução e persuasão; no entanto, tendem a sofrer mais com rejeições.

Sentimental introvertido

Geralmente são pessoas solitárias, possuem dificuldade de relacionamento, gostam de silêncio, são melancólicas, pouco sociáveis e fazem o possível para não chamar a atenção, mas são sensíveis às necessidades alheias.

Perceptivo extrovertido

Essa personalidade possui um lado místico, forte percepção e identificação com objetos. Indivíduos perceptivos extrovertidos são muito bons com detalhes e costumam colocar o seu prazer como prioridade.

Perceptivo introvertido

A maior característica dessa personalidade é a ênfase sensorial. É caracterizada por valorizar cores, texturas e formas como uma maneira de exteriorizar suas emoções. Geralmente são indivíduos relacionados à arte e à música.

Intuitivo extrovertido

Pessoas aventureiras fazem parte dessa personalidade. São ativas, inquietas, determinadas e corajosas, mas em geral egoístas e não ligam muito para o bem-estar coletivo.

Intuitivo introvertido

Personalidade característica de indivíduos extremamente sensíveis, com alto senso intuitivo. É muito comum pessoas assim estarem ligadas à religião. Os intuitivos introvertidos também são idealizadores, muito criativos e sonham alto.

Tanto a teoria de Freud quanto a de Jung são questionáveis, incertas e limitadas, que se diferem por fatores associados ao embasamento de cada um. Por um lado temos o determinismo da teoria freudiana, por outro a ideia do exercício de livre arbítrio defendida pela teoria de Jung.

Contudo, ambos os estudos sobre teorias da personalidade são de extrema importância hoje ao campo da psicologia e psiquiatria, ainda que não sejam efetivas em seu propósito. Freud e Jung colaboraram significativamente com suas ideias para a evolução da psicanálise, e ainda orientam novos pesquisadores.

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