Como vocês leram no título desse artigo, vamos esclarecer de uma vez por todas se a Hipnose Ericksoniana é transe conversacional. A resposta é: SIM e NÃO. 

Essa resposta pode parecer contraditória e antes de explicá-la, é importante que você entenda que Milton Erickson percebeu no seu trabalho que o estado de transe acelerava o processo da aprendizagem e aprofundava a maneira como essa aprendizagem iria estabilizar-se no sistema do cliente.

Isso significa que Erickson fez muitas pesquisas e observações, percebendo como cada pessoa aprende quando está fora/dentro do transe e qual é o ritmo que acontece uma aceleração quando o indivíduo está imerso dentro do processo.

Ele observou também, de qual maneira as aprendizagens que acontecem dentro do transe consegue ser mais sustentáveis na economia do comportamento, no uso em que o paciente vai fazer dessas aprendizagens no dia a dia, do que quando ele aprende fora dos estados de transe. 

Ericsson identificou que o transe era uma condição primordial, isso acontecia como consequência de que a condição do trânsito permitia que o inconsciente, as informações presentes no inconsciente, pudessem ser potencializadas.

Consciência como padrão limitante

Para Erickson, a consciência era um padrão limitante, pois ela trazia um conjunto de informações que tinha condições de gerar adaptação do cliente para muitas coisas e não adaptação para outras, por isso limitante.

Ele dizia: “o nosso trabalho é fazer com que o cliente se desconecte do padrão limitante da consciência, para isso, é necessário fazer essa desconexão e promover o acesso a uma área do funcionamento interior do mesmo, que nós chamamos de mente inconsciente”.

A mente inconsciente apresentava possibilidades a nível de novas perspectivas, já que fazia com que o cliente pudesse ver o seu sofrimento através de um novo prisma. Novas possibilidades também surgiam através do acesso de emoções e perspectivas empoderantes com maior intensidade e clareza.

Todas essas aprendizagens aconteciam em múltiplos níveis ao mesmo tempo, porque Ericsson percebeu que o inconsciente não trabalha de forma linear, como acontece com a mente consciente no seu processo racional da lógica. Mas quando estamos na conexão com o inconsciente, muitas aprendizagens acontecem paralelamente ao mesmo tempo.

Milton Erickson identificou que o transe é uma coisa importante. A condição do transe faz com que um consciente encontre uma maior probabilidade de ofertar os seus recursos, então ele desenvolveu um conjunto de estratégias que tinha como objetivo o tanto gerar o transe, como também ativar a resposta da mente inconsciente.

Tipos de transe

Essas estratégias eram realizadas de duas formas: Pela conversação normal e convidando também o cliente para participar de um exercício mais formalizado de interiorização.

  • Pela conversação normal, Ericsson ia utilizando do diálogo, as estratégias nesse diálogo aconteciam naturalmente, sendo compartilhadas. 

Essas estratégias iam fazendo o cliente aprofundar a conexão com o seu mundo interno entrando em transe, e conseguindo acessar através de muitos insights, as possibilidades da mente inconsciente.

  • Já através da prática de interiorização, uma prática formal, ele convidava ou criava as condições para que o cliente se sentisse confortável o suficiente para fechar os olhos, emergindo num exercício de mergulho interior. 

A partir daí ele ia levando, por meio de uma indução, as estratégias. Favorecendo para que o cliente entrasse em transe e também acessasse a resposta da mente inconsciente. 

O processo de conversação que ele utilizava, nós chamamos de transe conversacional ou naturalístico, que acontece através da espontaneidade do diálogo, no processo relacional, sem a necessidade de levar o cliente a uma prática formal. A prática formal de interiorização nós chamamos de transe formal.

Resposta final

Então voltamos a pergunta, com essas reflexões a hipnose ericksoniana é conversacional? SIM, é conversacional porque Erickson utilizava do transe conversacional, mas também está certo dizer que NÃO porque ele não utilizava somente do transe conversacional, ele também utilizava o  transe formal.

Milton Erickson buscava construir as estratégias, linguagens e tipo de transe que melhor iria ressoar no seu paciente. Sempre visando o que fizesse sentido para o cliente, buscando potencializar a conexão do mesmo com sua bússola interna. 

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