Na segunda parte do artigo: Caminhos para melhorar nossa linguagem hipnótica, falaremos do Foco Associativo Indireto:

Hoje estaremos abordando uma segunda estratégia secundária complementar, muito importante para trabalhar a linguagem indireta, que Erickson nomeou como foco associativo indireto.

O foco associativo indireto é uma estratégia que estimula o cliente a  abordar um tópico específico, ou uma maneira de se fazer algo, utilizando exemplos gerais que não toca em sua experiência direta.

Ao explorar um tema, como por exemplo, relacionamento afetivo, mostrando exemplos de outras pessoas ou referentes a humanidade sobre o tema, ou dando exemplos pessoais (exemplos do terapeuta), você estimula o cliente a construir suas próprias associações e acessar uma compreensão e\ou um fazer que lhe faça sentido sobre o assunto “afetividade”.

Por exemplo “ A humanidade sempre construiu muitas compreensões sobre o significado de afetividade. Para alguns, afetividade é um sentimento de carinho que você desenvolve pelas coisas e pessoas que lhe tragam bem estar. Para outros, afetividade é um sentimento que os auxilia a sentirem maior confiança e prazer para construir vínculos com outros seres humanos. Existem ainda pessoas que constroem afetividade por si mesmas, porque justificam que assim constroem uma nutrição que as acompanhará o tempo todo. Interessante como existem tantas compreensões sobre o estado de afetividade não é mesmo?!”.

Percebam que fui tecendo uma reflexão geral, sobre o que as pessoas “pensam”  sobre o assunto “afetividade”, dando exemplos da diversidade de compreensões que as pessoas constroem. Essa construção auxilia o cliente a entrar no tema “afetividade” e a construir associações à respeito do que “a afetividade significa para mim”, ajudando a acessar uma compreensão que seu sistema se sente confortável em construir.

Agora digamos que você esteja falando como as pessoas lidam produtivamente com a afetividade e compartilha o seguinte exemplo:

“Eu tive um amigo que depois de lutar muito com uma emoção, e viver muitos momentos de estresse, percebeu que a melhor coisa para lidar com ela seria melhorar a forma de se relacionar com a mesma. Muitas pessoas vem aprendendo que a “forma de se relacionar com a emoção” é que acaba sendo o grande responsável por ela piorar ou melhorar. Então um dia eu fiz um teste… escolhi uma emoção em que eu estava lutando e resolvi acolher e me relacionar com a mesma, como se eu fosse um bom ouvinte, buscando compreender sua necessidade. Não é incrível como podemos aprender a nos relacionar com a emoção?!”

O que estamos fazendo aqui? 

Estamos realizando associações gerais estimulando  a ideia referente  a “ lidar de forma mais produtiva com uma emoção”, dando exemplos de outras pessoas e exemplos pessoais, visando gerar associações que o auxiliem a construir um saber do que “para ele” seria “me relacionar de forma mais produtiva com determinada emoção” estimulando-o para construir uma ação diferente sobre sua realidade emocional.

Depois de um tempo, seja de forma espontânea, ou estimulado por perguntas abertas (o que essa reflexão gera em você?), o mesmo começa a compartilhar as associações pessoais, referente ao tema e\ou a ação que ele foi estimulado através do foco associativo indireto.

Você pode usar essa estratégia para auxiliar o cliente a tomar consciência sobre determinadas questões que sejam importante explorar sua compreensão, ou auxiliá-lo a perceber como lidar com determinados situações do seu processo clínico.

Por exemplo, digamos que em um transe o cliente acesse um forte sentimento de tristeza, e você começa a falar alguns exemplos gerais de “como lidar produtivamente com a tristeza”, e como esse sentimento se transforma quando utilizamos o acolhimento e o amor, dando exemplos gerais ou pessoais,  sem tocar diretamente na tristeza do cliente.

Em determinado momento, ele irá acessar as associações do inconsciente de “qual é a forma produtiva para ele lidar com a própria tristeza”, e suas reflexões gerais funcionaram como um estímulo indireto para ele construir a sua “forma produtiva em lidar com tal sentimento”.

Erickson utilizava o foco associativo indireto em muitos momentos com seus clientes, seja aplicando a estratégia isoladamente (sem associar ela com outras estratégias), seja aplicando-a dentro de metáforas e transes objetivando estimular o cliente a acessar uma determinada compreensão e\ou ter insights sobre ações que qualificariam a relação consigo mesmo.

Semana que vem iremos abordar os truísmos e indicar de que maneira auxilia na melhoria da linguagem hipnótica.

Leia a primeira parte do artigo clicando aqui.