A frase “O inconsciente é o corpo”, de Eugene Gendlin, à primeira vista, pode parecer sem nexo. Afinal, estamos acostumados a relacionar nossas informações internas à mente inconsciente, deixando, assim, nossas sensações corporais em segundo plano.

Este tipo de estranhamento é natural a toda nova abordagem terapêutica. Quando Gendlin fez essa afirmação sobre a técnica de Focalização, há 25 anos, ele causou essa mesma estranheza em seu público. Naquela época, o método era recente, ainda, e carecia de mais divulgação de suas informações.

A informação é o alicerce para o conhecimento e com essa técnica não poderia ser diferente. Com isso em mente, nada melhor do que falar sobre Focalização desde sua criação.

Na década de 1950, Eugene Gendlin iniciou suas pesquisas para compreender o modo como as pessoas fluíam psicologicamente e como acontecia o processo de mudança. Por conta destes estudos, Gendlin uniu-se a Carl R. Rogers, fundador da Abordagem Centrada na Pessoa, a fim de aprofundar seus conhecimentos.

A relação era de mútua influência e, no final da década de 1960, Gendlin compreendeu que necessitava prosseguir sozinho um caminho diferente e, com isso, criou a Filosofia do Implícito, que possui como sua vertente a Focalização.

A Focalização é o processo de compreender suas sensações corporais, a fim de aceitar e ouvir as mensagens que seu eu interior envia à você através delas. Essas mensagens são partes da consciência física interna, chamada de Felt Sense.

O Felt Sense, geralmente, não possui características físicas ou emocionais pré-estabelecidas; ele precisa se formar. Ele, também, não é uma emoção. Uma pessoa sabe quando está zangada, triste ou alegre, mas não saberá reconhecer, de imediato, o Felt Sense porque ele é algo indefinido, vago.

A definição de Felt Sense pode parecer confusa, mas será fácil compreender com o exemplo a seguir. Imagine que você está viajando de carro e, no meio do caminho, começa a sentir que esqueceu algo importante em sua casa. Você tenta lembrar o que é, repassa a lista de coisas que colocou no carro e percebe que não esqueceu nada, mas a sensação continua lá. Em outras palavras, seu corpo sabe o que é, mas você não.

Esta sensação é o Felt Sense, que, em alguns momentos, se tornará algo tão vago que quase desaparecerá, mas, em outros, surgirá com tanta força que você sentirá que está prestes a descobrir o que é. Então, de repente, por causa desta sensação, você descobre o que tinha esquecido.

Talvez agora, a frase de Eugene Gendlin faça mais sentido. O corpo é como um computador biológico que possui esse enorme acervo de informações. Cabe a nós, saber como acessá-las e utilizá-las a nosso favor e na busca por uma vida mais equilibrada.