Você, como psicólogo, sabe bem a importância do inconsciente para a análise de uma pessoa. Vários sinais são emitidos o tempo todo: desde expressões faciais ou corporais até determinado tom de voz. O fato é que o tema é de interesse público e pode ajudar tanto você quanto os pacientes.

Por isso, vamos repassar os principais conceitos de inconsciente e explicar a Teoria do Iceberg, que nos ajuda a entender melhor o que leva uma pessoa a agir de determinada forma mesmo sem perceber. Também explicaremos como o inconsciente pode pautar decisões cotidianas e como podemos nos comunicar com a mente inconsciente. Acompanhe:

Relembre os conceitos de inconsciente

Carl Jung e Sigmund Freud representam duas abordagens diferentes da psicologia. É verdade que alguns pontos de suas teorias convergem e se conversam, mas muitos outros têm diferenças entre si. Isso não significa, no entanto, que uma é mais ou menos correta ou importante do que a outra.

O primeiro é autor da psicologia analítica, enquanto o segundo é o pai da psicanálise. A Teoria do Iceberg, que explicaremos mais para frente, é a base em comum para as duas.

Segundo Jung

Para Jung, o inconsciente é dividido em dois níveis, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo. Na primeira camada, encontram-se todas aquelas informações que as pessoas absorvem e se esquecem ou não possuem mais contato, mas podem ser acessadas caso tenham energia suficiente para chegar ao subconsciente, que é o limiar da consciência.

Já a segunda camada, de inconsciente coletivo, é algo impessoal. “Sua particularidade mais inerente é o caráter mítico. É como se pertencesse à humanidade em geral, e não a uma determinada psique individual” (JUNG, 2008).

Sua definição para o inconsciente é a seguinte: “O inconsciente retrata um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que eu sei, mas em que não estou pensando no momento; tudo aquilo de que um dia eu estava consciente, mas de que atualmente estou esquecido; tudo o que meus sentidos percebem, mas minha mente consciente não considera; tudo o que sinto, penso, recordo, desejo e faço involuntariamente e sem prestar atenção; todas as coisas futuras que se formam dentro de mim e somente mais tarde chegarão à consciência; tudo isto são conteúdos do inconsciente”.

Segundo Freud

A psicanálise, por sua vez, é focada no indivíduo e em como sua mente funciona e se desenvolve. Para Freud, a mente humana se divide em três partes: ego, id e superego. Embora o assunto renda uma longa dissertação, tentaremos sintetizar em poucas palavras.

O ego é a parte consciente, o que controlamos; o id é o inconsciente que se guia pelo prazer e, por fim, o superego, que absorve as normas de conduta da sociedade e é responsável por sentimentos de culpa ou recompensa moral.

Conheça a Teoria do Iceberg

Apesar das diferenças, ambas as abordagens partem de um mesmo princípio: a Teoria do Iceberg do aclamado escritor Ernest Hemingway. Sabe quando conhecemos uma pessoa e “o santo não bate”? Isso pode ser explicado através dessa teoria.

Imagine um iceberg. Só vemos a ponta do mesmo na superfície do mar. Ele, no entanto, tem uma base de sustentação muito maior que fica submersa. Para Hemingway, isso também acontece com nossa mente.

Percebemos o que vemos apenas superficialmente: o restante da informação é absorvida sem que tenhamos noção disso. Ou seja, uma parte é percebida conscientemente enquanto a outra é registrada inconscientemente.

Voltando ao exemplo da pessoa cujo santo não bate com o seu, isso acontece por um sem-número de informações (que podem incluir traços físicos, detalhes da personalidade ou até mesmo a voz ou ritmo de fala) que seu inconsciente pode ter percebido em outras situações desfavoráveis e replicado a sensação de desconforto ao ter contato com essa pessoa. Mesmo com todo esse extenso processo ocorrendo, o que chega à consciência é simplesmente um sentimento inexplicável de ter algo errado com quem você conheceu.

Descubra como o inconsciente afeta o dia a dia

Como o inconsciente retém registros de tudo o que vivemos, muitas vezes é ele o responsável pelos processos do nosso dia a dia. Desde reações rápidas a determinados estímulos até hábitos que criamos há muito tempo, tudo passa por essa parte de nossa mente.

Os hábitos são costumes que quase não exigem raciocínio, pois estão naturalizados. Nosso cérebro aprende desde cedo que esses hábitos vão facilitar a rotina, assim podemos agir no “piloto automático” — não é necessário pensar muito para andar, por exemplo, assim como após certo tempo não precisamos prestar atenção no caminho para o trabalho.

E é também por isso que é tão difícil abandonar hábitos. Essas mudanças exigem força de vontade e perseverança para que a repetição aconteça tantas vezes que se torne algo natural.

No caso dos hábitos, o inconsciente age como um facilitador: temos acessos a essa bagagem de memórias sem que precisemos raciocinar. Outras vezes, no entanto, ele interage com a consciência e traz à tona alguma memória reprimida. Isso resulta em atos falhos, sonhos ou mesmo decisões tomadas por impulso.

Isso explica, por exemplo, por que escolhemos um prato em vez do outro ou por que trocamos o nome de pessoas sem querer. Provavelmente seu cérebro fez uma associação entre memórias, o que influenciou sua decisão ou o que falou “sem pensar”. Além disso, o inconsciente também nos coloca em contato com nossos sentimentos mais viscerais, o que pode gerar impressões ou tomadas de decisão sem motivos concretos além de nossa intuição.

Aprenda a se comunicar com a mente inconsciente

Sabendo que é possível mudar hábitos e ter mais controle sobre nossas decisões, muito se estuda sobre a possibilidade de nos comunicarmos com o inconsciente. Para acessar esses conteúdos, o mais indicado seriam processos de psicoterapia.

Uma das técnicas de psicoterapia mais indicada para essa finalidade é a Hipnose Ericksoniana. O método permite que o próprio paciente reverta seus conflitos internos. Ele foi adaptado para respeitar reações individuais durante as situações de transe e, com isso, o hipnoterapeuta é responsável apenas por orientar seu paciente.

Como funciona?

Como a Hipnose Ericksoniana permite que o paciente se autoavalie, há menos resistência. O hipnoterapeuta precisa avaliar e conhecer a linguagem de cada um e sintonizar-se a ela para ter acesso a seu inconsciente. A partir daí, elabora estratégias de orientação e modificação pensadas especificamente para aquele sujeito.

O próprio paciente vai se conhecer melhor e descobrir soluções para melhorar o que está atrapalhando em sua vida. Por isso, é um dos métodos eficazes no tratamento de depressão, ansiedade, medos, entre muitas outras condições adversas.

Quais os benefícios?

Como não se pode modificar as memórias, é possível mostrá-las sob uma nova perspectiva. Com isso, os pacientes podem reformular suas percepções, transformar pensamentos e modificar hábitos, adotando novos comportamentos e atitudes. O sujeito será capaz de compreender e se adaptar a antigas e novas experiências.

Pela Teoria do Iceberg, sabemos que há muito mais em nossa mente do que aquilo que nos lembramos. Entre traumas antigos e atos falhos recorrentes, o inconsciente volta e meia traz à tona algum fato reprimido, então nada mais tranquilizador do que saber que é possível entrar em contato com a parte oculta de sua mente.

Oferecer a opção da Hipnose Ericksoriana pode aliviar o paciente e, sem dúvidas, resultar em mudanças mais efetivas, uma vez que 95% de toda mudança comportamental acontece no nível inconsciente. Para saber mais sobre o assunto, assine nossa newsletter!