Existe diferença entre hipnose e PNL?

Muitas pessoas têm buscado processos de hipnose, Programação Neurolinguística (PNL) ou coaching como formas de aumentar o desempenho em situações difíceis, ou mesmo para solucionar problemas de ordem pessoal e profissional.

De forma geral, as três técnicas oferecem tratamento a partir do autoconhecimento. Elas têm como objetivo a mudança de comportamento do paciente e, para isso, se utilizam de estratégias relacionadas a padrões linguísticos para desenvolver um caminho mais eficiente e garantir o melhor aproveitamento das possibilidades que se apresentam.

A eficiência desses procedimentos na superação de obstáculos e obtenção de benefícios em vários aspectos do cotidiano é cada vez mais comprovada por estudos e experiências reais.

Mesmo alguns mitos que impediam as pessoas de usufruir das vantagens dessas técnicas estão sendo deixados para trás. Isso vem proporcionando, a um número crescente de indivíduos, o aumento da qualidade de vida e o alcance de benefícios que vão da maior autoestima até a conquista de objetivos que eram apenas imaginados.

Embora apresentem vários pontos em comum, em especial no que diz respeito aos resultados pretendidos, as três vertentes possuem algumas diferenças e, por isso, não devem ser confundidas. Confira a seguir um pouco da história e aplicabilidade dos procedimentos e a diferença entre hipnose e PNL, além da comparação com o coaching.

Hipnose

O termo advém da palavra grega “hipnus”, que significa sono, e do termo latino “osis”, que significa ação ou processo.

A priori, acreditava-se que o procedimento desencadeava uma espécie de sono induzido e, por isso, cunhou-se o nome. Entretanto, com o passar dos anos, foram surgindo estudos que iam de encontro a esse pensamento. Assim, apesar de não condizer exatamente com o princípio do tratamento, o termo já havia sido consagrado, mantendo-se a sua utilização.

A hipnose consiste na indução de um estado mental no qual há um aumento da atenção focada e uma redução da consciência periférica do paciente. A partir disso, o indivíduo sujeito ao processo se torna suscetível a achar soluções mais simples e diretas para uma determinada situação.

Dessa forma, se estabelece uma conexão com o inconsciente. Consequentemente, há uma diminuição de seu senso crítico, tornando possível a obtenção de bons resultados terapêuticos.

Uma das aplicações mais frequentes da hipnose é no tratamento de fobias de ordem geral. Com o auxílio de técnicas próprias, o terapeuta conduz o paciente até um estado de alteração da consciência (transe) e trabalha na reeducação da mente, de modo que o indivíduo consiga reagir de outra forma na presença do elemento gerador da fobia.

Muitos grandes nomes se destacam nos estudos sobre a hipnoterapia, dentre eles James Braid, Sigmund Freud e Dave Elman. Porém, vale destacar o trabalho do psiquiatra Milton Erickson (1901 – 1980), formado em Phoenix, nos EUA. 

O trabalho do Dr. Erickson tem como particularidade a adequação das soluções encontradas de acordo com cada paciente. A escolha das técnicas e estratégias era modelada conforme cada caso, e, somada a um processo intuitivo do Dr. Milton, logravam-se resultados bastante promissores.

A premissa da técnica baseia-se na ideia de que o indivíduo é responsável pela sua própria cura. Assim, a metodologia Ericksoniana explora estratégias de acesso ao inconsciente específicas para a personalidade da pessoa e, a partir daquele contexto, induz a um processo de autoconhecimento suficiente para conseguir os melhores resultados possíveis.

Ao induzir a conexão com o inconsciente, a hipnose proporciona acesso a conteúdos emocionais e mentais que recebem pequena — ou nenhuma — influência da razão consciente. Com isso, é possível ao paciente ampliar o conhecimento sobre si próprio, buscando nessa parte da mente soluções para os problemas que apresenta.

Vale citar também que a metodologia do Dr. Erickson é bastante eficaz em pacientes que possuem certa resistência a entrar em estado de transe hipnótico com a hipnose clássica. Por meio de metáforas, o indivíduo é induzido a entrar no estado consciencial necessário para acessar o inconsciente.

A hipnoterapia Ericksoniana é bastante eficaz no tratamento para ansiedade, estresse, depressão, superação de traumas e fobias, obesidade, tabagismo, insônia, amnésia, dores crônicas, tomada de decisões, autoconhecimento, falar em público, dentre muitas outras condições de ordem psicológica.

Uma aplicação eficiente e recomendada do método diz respeito à auto-hipnose. Em termos gerais, essa técnica consiste em atingir um estado plenamente focado e de alta concentração, que permita ao indivíduo estar mais suscetível a sugestões e encontrar as soluções para os problemas que o afligem.

É indicada ainda como forma de relaxamento e tratamento de insônia. A propósito, o próprio Erickson considerava todo o processo de hipnose como uma auto-hipnose.

O tempo necessário para conclusão de um tratamento com base na hipnose varia para cada paciente e caso específico. Naturalmente, a obtenção do resultado possui ligação direta com a intensidade do problema a ser tratado.

Ainda que o profissional seja responsável pela condução do processo, propondo estratégias e sugerindo melhorias, o paciente possui domínio sobre as decisões, podendo mesmo recusar-se a seguir por determinado caminho.

PNL

Entende-se como Programação Neurolinguística a busca por uma codificação de comportamentos por meio de processos linguísticos de comunicação com a mente consciente, interpretados pelos cinco sentidos, que levem à melhoria de determinado aspecto.

A etimologia do termo remete ao tripé de conceitos aos quais a disciplina se dedica. “Neuro” representa a mente, “linguística” faz referência a qualquer forma de comunicação (que pode ser verbal ou não verbal) e “programação” indica o processo que tem por base estimular o cérebro para que sejam atingidos os resultados que se pretende.

A PNL surgiu em meados dos anos 70, na Califórnia. Criada por John Grinder e Richard Bandler, a Programação Neurolinguística tem raízes na Hipnose Ericksoniana. Seus criadores basearam-se na premissa do Dr. Erickson, de que o tratamento deve apresentar personalização da técnica de acordo com o paciente.

Com base na observação atenta de pessoas que atingiam êxito pessoal e profissional, os criadores da PNL descobriram que a mente desses indivíduos apresentava um tipo de “programação”. Mais do que isso, que essa programação poderia ser ensinada e desenvolvida em outras pessoas.

Na PNL, os cinco sentidos são compreendidos como vias cognitivas, por meio das quais são utilizadas ferramentas de linguagem e comunicação, não necessariamente verbais, para elucidar estados neurológicos favoráveis e atingir os objetivos pretendidos.

Visa-se organizar as informações interpretadas pelos nossos sentidos de modo a obter melhor processamento dessas informações pela mente. Direciona-se assim o indivíduo a um verdadeiro condicionamento mental, favorecendo recursos e comportamentos específicos que sejam úteis ao alcance do resultado proposto.

Como trabalha com a porção consciente da mente humana, a PNL permite que a pessoa entenda o funcionamento dos mecanismos cerebrais e possa, com base nisso, efetuar as “reprogramações” de que necessita. Dessa forma, é possível a obtenção de resultados pontuais em contextos diversos, como liderança e comunicação, entre outros.

São exemplos de metas que podem ser alcançadas de forma potencializada pela PNL:

  • aumento do potencial esportivo ou profissional;
  • aumento da confiança na tomada de decisões importantes;
  • resolução de conflitos internos;
  • maior êxito na realização de concursos e provas de alto desempenho;
  • autoconhecimento;
  • descobrimento de competências, dentre outras.

Coaching

Em uma tradução livre, o termo “coaching” significa treinamento, embora existam correntes que defendem uma relação, na origem, com o verbo “coax” (persuadir). Na prática, consiste em um processo de desenvolvimento humano que utiliza várias técnicas (como hipnose e PNL, por exemplo) para auxiliar no alcance das metas e resultados em algum contexto da vida da pessoa.

O conceito não é novo, ainda que apenas recentemente tenha se popularizado. Já na década de 1830, em Oxford (Inglaterra), a universidade local usava essa palavra para designar um tutor particular, que apoiava os alunos na preparação aos exames. Nesse caso, a meta se traduzia na aprovação em determinado tema de estudo.

Nesse sentido, é comum que um “coach” (o profissional que conduz o processo) se especialize em determinada vertente, que pode ser profissional, pessoal, familiar, espiritual, social ou financeiro, dentre outros.

A proposta do coaching é levar o indivíduo de um estado atual para outro, desejado, de maneira rápida e eficaz. Isso é feito com base na análise de pontos individuais, aumento da autoconfiança e eliminação de limitações de ordem geral.

Uma das características importantes do coach é conseguir atingir verdadeira e profunda empatia com o coachee. De outra forma, sem colocar-se no lugar do cliente, em plena conexão, é difícil que o profissional consiga compreender a amplitude dos processos mentais e, por consequência, possa influenciar positivamente para o atingimento das metas.

Não há prazo pré-definido para a conclusão de um processo de coaching. Tudo vai depender da amplitude dos objetivos traçados bem como da aderência e desenvolvimento do indivíduo aos métodos aplicados. Esse é um dos motivos pelos quais o coaching se vale de técnicas diversificadas, que podem ser adequadas a determinado caso particular.

Diferença entre hipnose, PNL e coaching

Embora a hipnose (sobretudo a vertente Ericksoniana) e a PNL tenham alguns elementos em comum, existem algumas diferenças práticas, principalmente na abordagem utilizada nos processos.

É valido destacar que a principal diferença entre as duas vertentes terapêuticas está na abordagem. A PNL fala basicamente com a mente consciente, enquanto a hipnose trata o inconsciente. Essa diferença pode ser fundamental no tratamento, uma vez que todos os comportamentos incorporados pelo indivíduo são regidos por essa parte da mente.

A Hipnose Ericksoniana é comprovada a partir de várias pesquisas no campo da neurociência. Muitos trabalhos mostram que, para se obter a verdadeira mudança comportamental, é necessária uma comunicação com a mente inconsciente, uma vez que ela é responsável por 95% da tomada de decisões.

A partir disso, a Hipnose Ericksoniana se mostra muito mais eficaz, uma vez que a técnica fala diretamente com a mente inconsciente, o que aumenta substancialmente as chances de êxito na correção de um comportamento.

O coaching, por sua vez, apresenta características próprias, não podendo assim ser equiparado às duas outras técnicas. Na verdade, como já mencionado, ele pode se valer de aplicações de hipnose e PNL como suporte para obtenção dos resultados que se deseja.

Em termos práticos, o coaching se assemelha mais a um treinamento, que trabalha no sentido de desenvolver habilidades profissionais e pessoais no indivíduo. O processo de coach, por si só, não efetua acesso direto à mente, embora possa fazê-lo com técnicas de hipnose, por exemplo.

Assim, é importante destacar que o coaching não representa um tratamento, no sentido amplo da palavra. É, de forma geral, a aplicação conjunta de diversos métodos com vistas à mudança comportamental e obtenção de resultados pré-definidos e ajustados entre o profissional e seu cliente.

Quem pode aplicar

A hipnose é uma prática médica regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 1999 e, há 15 anos, também é reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Os conselhos federais de Odontologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional também reconhecem a hipnoterapia como ferramenta de tratamento clínico.

Ou seja, desde que tenham realizado cursos preparatórios dentro de suas respectivas áreas de atuação, esses profissionais estão aptos à utilização da hipnoterapia.

A Programação Neurolinguística não é reconhecida por nenhum conselho brasileiro da área de saúde. Embora isso não desmereça seus resultados, esse método tem sido amplamente utilizado por professores, psicólogos, médicos, treinadores pessoais, empresários, palestrantes e profissionais de coaching, para a obtenção de melhores resultados com seus clientes ou pacientes.

Já o coaching, por sua vez, é uma profissão relativamente nova. Assim como a PNL, não há reconhecimento oficial tampouco exigência de formação acadêmica específica para atuação.

Nesse sentido, embora existam cursos dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de profissionais de coaching, podem fazer parte desses treinamentos indivíduos provenientes das mais diferentes origens e formações. Essa característica permite que o processo seja aplicado com sucesso em diferentes setores e por pessoas com pluralidade de habilidades e conhecimentos.

De qualquer forma, é importante avaliar o preparo acadêmico e a experiência do profissional na hora da procura por qualquer um desses métodos. Lidar com a mente humana requer perícia e cautela da parte do especialista; portanto, deve-se priorizar a escolha e orientação de um indivíduo comprovadamente capacitado para a realização desse tipo de procedimento.

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Neste artigo, procuramos esclarecer a diferença entre hipnose e PNL, mostrando ainda as características do coaching. Gostou do conteúdo? Baixe também o nosso e-book e saiba tudo sobre a Hipnose Ericksoniana!