Este é um dos princípios que norteia a Hipnose Ericksoniana. A palavra “intercâmbio” significa troca ou permuta e a palavra “vulnerabilidade” tem sua origem etimológica no latim “vulnerabilis”, que significa “o que pode ser ferido” ou “o que pode ser atacado”.

Partindo desta premissa, então como se dá a dinâmica no ambiente terapêutico ericksoniano? Como pensar numa relação em que o terapeuta se coloca como um ser que pode ser ferido ou atacado? De que forma esta troca poderá contribuir para um novo aprendizado do cliente?

Milton Erickson dizia que há poder no intercâmbio da vulnerabilidade.

A visão desnuda da expectativa sugere um tipo de abertura e vulnerabilidade que é surpreendente e um pouco desconcertante quando encontrada inesperadamente. Em situações cotidianas, nós temos a tendência de desviar o olhar e nos distrair desses momentos tão delicados. No máximo, nos permitimos desfrutá-los brevemente com as crianças e durante encontros amorosos. Na terapia, esses momentos criativos são preciosas aberturas para a sequência de sins e para a transferência positiva. Os hipnoterapeutas permitem a si mesmos abrirem-se para esses momentos e ser, talvez, igualmente vulneráveis, enquanto oferecem algumas tentativas de sugestões terapêuticas. (Hypnotherapy, Milton H. Erickson e Ernest L. Rossi, Irvington, New York, 1979.)

O terapeuta ao se permitir ser autêntico, proporciona uma relação de ajuda que enfatiza o relacionamento terapêutico em si como uma experiência de crescimento, um momento criativo e propício para as sugestões positivas.

Neste momento se estabelece uma conexão entre a mente inconsciente do terapeuta e do cliente e ambas cooperam para a formação de um campo relacional unificado, no qual o cliente se sente aceito e compreendido.

Ao colocar-se diante do cliente com expectativa e simplicidade, colabora para criar um contexto favorável em que ele se abre para reconhecer seus potenciais e recursos internos, assumindo para si a responsabilidade sobre seu próprio crescimento e desenvolvimento.

O conhecimento autoaprendido num momento de cocriação possibilita ao cliente realizar todo o processo de cura utilizando seu próprio sistema e devolve-lhe a autonomia e o poder para as mudanças.

Em minha experiência da prática terapêutica, atendo pessoas em tratamento para recuperação de dependência de substâncias psicoativas e esta técnica tem sido de grande valia para estabelecer um ambiente nutritivo e de confiança.

Pessoas dependentes de álcool e drogas trazem uma história de vida de extrema vulnerabilidade psicológica, social e física, e o uso da ferramenta do intercâmbio da vulnerabilidade colabora para diminuir as resistências internas que criam barreiras para as sugestões terapêuticas.

Com a conexão de vulnerabilidade e autenticidade é possível acompanhar e conduzir o cliente para ampliar seu aprendizado, passando de uma percepção para uma nova perspectiva das questões apresentadas.

Milton Erickson dizia que uma boa sessão terapêutica é aquela em que o cliente sai mais empoderado de seus recursos e com a impressão de que o terapeuta está menos empoderado.

Mais consciente e confiante de suas potencialidades, o cliente poderá encontrar soluções criativas, ou quem sabe, até majestosas, para o que quer que se apresente.