Milton Hyland Erickson nasceu nos EUA, no estado de Nevada, em 15 de Dezembro de 1901 e faleceu em 1980. É o segundo filho de onze irmãos, dentro de uma família de fazendeiros.

O primeiro grande acontecimento na vida de Erickson – que o acompanhou até o final – é referente às suas inúmeras dificuldades físicas e de saúde.
Ele acabou por contrair poliomielite aos 17 anos, ficando totalmente incapacitado de fazer qualquer coisa a não ser falar e mover os olhos durante, isso durou por alguns anos.

Mas o que era para ser uma tragédia, acabou por dar a ele uma oportunidade única.
Conta-se que quando estava internado no hospital, em sua noite mais crítica, até os médicos acreditavam que ele não sobreviveria até o dia seguinte.

Ele mesmo conta como a experiência foi para ele:

Enquanto eu estava deitado na cama naquela noite, ouvi os três médicos dizerem aos meus pais na outra sala que o menino deles estaria morto pela manhã. Senti uma raiva intensa de ouvir alguém qualquer dizer a uma mãe que seu filho estaria morto pela manhã.

Minha mãe então entrou com um rosto tão sereno quanto pode ser.
Pedi-lhe para arrumar a cômoda, empurrá-la contra o lado da cama em um ângulo.
Ela não entendia, pois achava que eu estava delirando.

Meu discurso foi difícil.
Mas naquele ângulo, em virtude do espelho na cômoda, eu podia ver através da porta, através da janela oeste da outra sala. Eu estaria amaldiçoado se morresse sem ver mais um pôr do sol.
Se eu tivesse alguma habilidade em desenhar, ainda poderia esboçar aquele pôr do sol(…).

Depois que vi o pôr do sol, perdi a consciência por três dias. Eu não percebi que tinha apagado quando fixei minha atenção tão intensamente no pôr-do-sol.
Então, quando me recuperei e tomei consciência da minha falta de habilidades, me perguntei como iria ganhar a vida. Eu já havia publicado um artigo em um periódico agrícola nacional: ‘Por que os jovens deixam a fazenda.’

Não tinha mais forças para ser agricultor, mas talvez pudesse fazer isso como médico.
Eu tinha poliomielite e estava totalmente paralisado, a inflamação era tão grande que também tive uma paralisia sensorial.

Eu podia mover meus olhos e minha audição não foi perturbada.
Fiquei muito solitário deitado na cama, incapaz de mover qualquer coisa, exceto meus olhos.

Fui colocado em quarentena na fazenda com sete irmãs, um irmão, dois pais e uma enfermeira prática.
E como eu poderia me divertir?
Comecei a observar as pessoas e o ambiente.

Logo aprendi que minhas irmãs podiam dizer “não” quando queriam dizer “sim”.
E eles poderiam dizer “sim” e dizer “não” ao mesmo tempo.

Comecei a estudar linguagem não verbal e linguagem corporal.
Eu tinha uma irmãzinha que havia começado a aprender a rastejar.
Eu teria que aprender a levantar e andar.
E você pode imaginar a intensidade com a qual assisti minha irmãzinha crescer, rastejando-se para aprender a se levantar.”.

Com esse processo, Erickson começou a recordar “memórias” da atividade muscular de seu próprio corpo.
Concentrando-se nelas, ele lentamente começou a recuperar o controle de partes de seu corpo a ponto de, finalmente, poder falar e usar seus braços.

Ainda incapaz de andar, decidiu treinar seu corpo embarcando – sozinho – em uma viagem de canoa de mil quilômetros com apenas alguns dólares.
Depois da viagem cansativa, foi capaz de andar com uma bengala. Essa experiência pode ter contribuído com a sua técnica de usar “provações” em um contexto terapêutico.


As dores físicas continuaram presentes durante toda sua vida, intercalando episódios de melhora e crises recorrentes de pólio, o que o fez se interessar pelo uso de técnicas hipnoterapêuticas no controle e manejo de dor crônica, vindo a desenvolver inúmeras técnicas para seu tratamento.

Como ele mesmo colocou algumas vezes, a pólio foi o melhor professor que já tivera quanto ao comportamento humano e seu potencial. Ela o ensinou sobre a força da motivação, mínimas mudanças comportamentais e um extremo senso de percepção e observação.

Em 1929, Erickson se formou na faculdade de medicina na Universidade de Wisconsin, onde também recebeu o título de Bacharel e Mestrado em Psicologia. Durante a maior parte da sua época, no que se refere a psicologia, o modelo dominante deste período era a psicanálise, portanto Erickson acabou influenciado por essa visão.

Ele utilizou alguns conceitos descritos e analisados por Freud em termos de inconsciente, vindo mais tarde se distanciar do seu uso tradicional, reformulando conceitos e encontrando seu próprio método.

Pode-se dizer que, se Freud foi o gênio da análise e Jung o gênio da síntese, Milton foi aquele que uniu as duas vertentes na aplicação do conhecimento desses dois autores à clínica psicoterápica.
Devido ao histórico de sua juventude, se interessou muito pelo uso da hipnose no ambiente clínico e acabou por estudar profundamente a hipnose tanto clínica como experimental durante toda a sua vida, propondo uma nova forma de entender e compreender a hipnose e seus fenômenos, distanciando-se radicalmente do uso tradicional.

Nesse meio tempo, casou-se com a psicóloga Elizabeth Moore Erickson, com a qual teve 8 filhos. (Entre eles, Betty Alice e Roxanna, que até hoje trabalham junto ao “Board of Directors” da fundação criada em homenagem ao pai no ano de sua morte.).

Em 1960, fundou a American Society of Clinical Hypnosis, onde dava aulas sobre o assunto. 

No curso, ensinava sobre a hipnose clássica, mas já abordava parte dos seus pensamentos inovadores. Durante sua vida, acrescentou uma quantidade enorme de novos casos e métodos à literatura da psicoterapia estratégica breve.

A aceitação e identificação automática com as suas abordagens eram tantas que logo seus primeiros discípulos, médicos e psicólogos, o estimularam a divulgar ainda mais o seu trabalho. Com o incentivo, Erickson passou a publicar livros e artigos sobre seus próprios pensamentos a respeito da hipnoterapia. Em seguida, a produção ultrapassou três centenas de publicações entre 1950 e 1980.

Em 1980, Milton Erickson faleceu, mas sua contribuição para área da saúde fora premiada.
Os mesmos alunos que o incentivaram a publicar suas idéias fundaram, junto à família, a The Milton Erickson Foundation, em Phoenix – Arizona (EUA). Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos, que hoje conta com mais de cento e vinte filiais ao redor do mundo, para ensinar e divulgar as abordagens ericksonianas para áreas da saúde e da educação.