Durante sua vida, Erickson foi considerado para uns uma figura fascinante, para outros um médico e psicoterapeuta de técnicas exóticas.
Uma das razões para ambas impressões é a abordagem diferenciada utilizada em suas consultas psicológicas.

Famoso pelo seu conhecimento em hipnoterapia, Erickson acabou desenvolvendo em novas técnicas da área.
Muitas dessas, inclusive, não são explicitamente hipnóticas, mas sim extensões de estratégias hipnóticas e padrões de linguagem.


Um dos diferenciais das abordagens ericksonianas tange ao seu reconhecimento quanto à resistência do paciente ao transe – se assemelhando à resistência à mudança, para isso ele desenvolveu sua abordagem terapêutica.

Abordagens diferenciadas:

Para Milton Erickson, a clássica abordagem de “me conte tudo sobre …” era invasiva demais para o paciente, ao invés disso, ele pedia para que a pessoa compartilhasse apenas aquilo que se sentia à vontade para revelar.
Essa abordagem criava um resultado interessante, pois o paciente tinha permissão para esconder o que quisesse e naturalmente, na conversa, começava a discutir isso e aquilo, contando sobre sua vida mesmo sem nunca ter sido influenciado a contar. Isso o fazia sentir-se no controle da situação e mais a vontade para se abrir.

Outra diferença nos métodos de Erickson consiste em sua percepção de que a mente consciente reconhece a negação na fala (“não faça X”), mas a inconsciente presta mais atenção ao “X” do que na injunção “Não faça”.

O hipnoterapeuta usou isso como base para sugestões que deliberadamente tocavam na negação e marcavam de uma forma benéfica qualquer que fosse o paciente: “Você não precisa entrar em transe, então pode facilmente se perguntar sobre o que percebe mais rápido.”.

Outra forma é fornecer uma alternativa pior, por exemplo: “Você quer entrar em transe agora ou mais tarde?” O ” duplo vínculo ” é uma maneira de sobrecarregar o sujeito com duas opções, a aceitação de qualquer uma delas como aceitação de uma sugestão terapêutica.

Milton Erickson possui até uma história interessante sobre a primeira experiência dele com  o”duplo vínculo”:

“Meu primeiro uso intencional bem lembrado do duplo vínculo ocorreu no início da infância.
Um dia de inverno, com o tempo abaixo de zero, meu pai levou um bezerro para fora do celeiro até o bebedouro.

Depois que o bezerro satisfez sua sede, voltaram para o celeiro, mas à entrada o bezerro teimosamente apoiou os pés e, apesar do puxão desesperado do pai no cabresto, ele não conseguiu mover o animal.
Eu estava do lado de fora brincando na neve e, observando o impasse, comecei a rir com vontade.

Meu pai me desafiou a puxar o bezerro para o celeiro.
Reconhecendo a situação como uma resistência teimosa irracional por parte do bezerro, decidi deixar o bezerro ter plena oportunidade de resistir, já que era isso que aparentemente desejava fazer.

Assim, apresentei o bezerro com um ligamento duplo, agarrando-o pela cauda e puxando-o para longe do celeiro, enquanto meu pai continuava a puxá-lo para dentro.
O bezerro prontamente escolheu resistir ao mais fraco das duas forças e me arrastou para o celeiro.”

Muitos dos métodos ericksonianos vieram da prática como terapeuta e suas experiências na infância e adolescência, portanto muito do mérito de Milton foi justamente mesclar o conteúdo teórico de psicólogos renomados com o prático vivenciado por ele.

Essas técnicas permitiram uma maior proximidade com o paciente e até hoje são referência na inovação de abordagem e resultados clínicos, tanto para ajuda em performance individual como traumas.

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