Quando o assunto é hipnose, as opiniões são muitas assim como as dúvidas. Muitas pessoas já ouviram falar alguma coisa ou outra sobre a técnica, mas poucas realmente conhecem a fundo sobre sua aplicabilidade e os procedimentos comuns.

Pensando nisso, criamos uma postagem completa sobre o assunto. A seguir, vamos abordar como a hipnose pode ajudar no combate à depressão, à ansiedade, à dependência química, dentre outras doenças e traumas.

Além disso, você vai poder também esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, pois vamos falar sobre alguns dos mitos mais comuns. Ficou curioso? Então venha conosco e inteire-se sobre o assunto!

1. O surgimento da hipnose

O termo “hipnose” foi criado por James Braid, conceituado médico britânico, em 1774, ou seja, a técnica existe com esse mesmo nome há mais de 200 anos, e foi se consolidando com o passar do tempo.

Ainda assim, engana-se quem pensa que os primeiros estudos surgiram nessa época. Embora não tivesse o nome que conhecemos hoje, vários médicos e pesquisadores já acreditavam que o “magnetismo” poderia interferir e alterar muitas situações. 

Entretanto, Braid foi um dos primeiros a acreditar e formalizar seus pensamentos entre os pesquisadores. Para ele, a técnica promovia uma espécie de sono induzido e poderia ajudar na resolução de problemas. Justamente por isso, ele foi o grande responsável pela criação da hipnose científica

Durante muito tempo, esse assunto gerou muita polêmica e controvérsias. Como ele usou o termo “sono”, muitas pessoas acreditavam que estavam totalmente inconscientes durante esse momento, a mercê de qualquer coisa que pudesse acontecer  o que não é verdade.

O que acontece é que o paciente fica em um estado de consciência, mas entre o focado e o pensamento relaxado. Isso acontece sempre que o cérebro está concentrado em apenas um ponto, uma situação comum, mas que torna mais fácil acessar os pensamentos e atingir o subconsciente.

2. Quais são as aplicações da hipnose?

Agora vamos explorar as aplicações práticas dessa técnica, afinal isso é uma das dúvidas mais recorrentes acerca dessa temática.

A prática mais comum é a hipnoterapia, uma ferramenta terapêutica utilizada para proporcionar bem-estar para os pacientes. As técnicas de relaxamento, respiração, imaginação e regressão são usadas para fazer com que o paciente revele suas principais dificuldades e, depois disso, resolva os seus problemas.

A hipnose é um método peculiar e pode ter aplicação em outras áreas também. Conheça alguns dos principais caminhos e os reflexos que a técnica pode proporcionar:

Depressão e ansiedade

A hipnose pode ser uma ótima alternativa para pessoas que sofrem com depressão. Como o estado emocional já está afetado, se não for tratado, pode favorecer o agravamento da enfermidade.

É exatamente aí que a hipnose entra: como um tratamento alternativo que pode melhorar a questão emocional e, por consequência, levar à cura. 

De forma paralela, a ansiedade é outra doença comum nos tempos contemporâneos, que tem sintomas bem similares aos da depressão, principalmente por ter um fundo emocional também. A boa notícia é que as duas doenças podem ter a sua incidência reduzida com o tratamento desse tipo.

Como trabalha a origem do problema, o método pode trazer uma melhoria significativa nos sintomas e no estilo de vida dos pacientes. O trabalho de relaxamento profundo faz com que os pacientes consigam diminuir a ansiedade, pois é uma maneira de desacelerar a cabeça e relaxar o corpo.

Fobias

Quem sofre com o medo de alguma coisa pode se ver escravo dessa situação, o que é, no mínimo, muito desagradável. Se uma pessoa tem medo de voar de avião, por exemplo, pode encontrar na hipnose uma alternativa para vencer e superar.

O paciente começa vivenciando a situação e aprendendo a ter controle sobre ela por 30 segundos e, com o passar do tempo, o tempo vai aumentando para 2, 10, 30 minutos — até chegar ao período necessário para que o voo se complete e ele consiga se libertar do medo.

E não acaba aí: a pessoa faz disso um hábito frequente e consegue viver com a situação com mais naturalidade. Isso significa que a fobia fica para trás de uma vez por todas!

Cirurgias e outros procedimentos médicos

Se você é o tipo de pessoa que fica simplesmente apavorada sempre que vai ao dentista ou é submetido aos mais simples procedimentos médicos, então vai se encantar com os benefícios que a hipnose pode trazer.

Ela pode fazer com que você relaxe e consiga passar por esse tipo de situação com mais leveza e facilidade — o que pode parecer impossível em um primeiro momento. Com a ajuda desse método, você vai aprender a lidar com o barulho da “maquininha do dentista” de forma tranquila, assim como passar por outros procedimentos médicos sem estresse.

Quem sofre com o sentimento de claustrofobia e não consegue se submeter a algum exame também pode deixar os problemas para trás. Fazer uma ressonância magnética pode se tornar uma tarefa ainda mais simples com a ajuda da hipnose.

Estresse

O estresse é um dos sintomas mais comuns da vida moderna e a técnica também pode aliviá-lo. Como as pessoas ficam excessivamente agitadas e atarefadas, isso gera reflexos para o corpo físico e mental.

Se você não acredita, saiba que o estresse pode causar várias consequências na sua saúde, como fadiga, queda de cabelo e noites mal dormidas  e esses são apenas alguns exemplos.

A hipnose pode ser uma verdadeira aliada nesse tipo de situação, fazendo com que os pacientes consigam relaxar e se controlar com mais facilidade. O resultado disso é uma vida com mais leveza e menos estresse — o que simboliza um ganho e tanto nos dias de hoje.

Outras aplicações

Além do tratamento de algumas doenças e distúrbios que compartilhamos acima, o método também pode ser explorado em outras situações.

Em alguns países, ela pode ser utilizada até mesmo na justiça, prática conhecida como hipnose forense. Isso significa que um profissional especializado é responsável por buscar informações sobre um crime por meio da regressão explorando a memória de vítimas e testemunhas.

3. Como a hipnose pode curar doenças?

Já falamos de forma introdutória sobre como a hipnose pode mudar realidades por meio de um controle emocional adquirido com ajuda dela  e isso também funciona no caso de doenças.

Já existem muitos estudos na área de medicina sobre o tratamento de úlcera, gastrite, gagueira, ansiedade, síndrome do pânico, alergias, alcoolismo e várias outras doenças com a hipnose. Os tratamentos podem acontecer de forma conciliada aos métodos mais convencionais, potencializando, assim, os resultados. 

Bem, depois de saber disso você deve estar se perguntando como o processo acontece e como a hipnose pode trabalhar para curar as doenças, certo? Não se preocupe, pois vamos explicar.

A técnica permite que o profissional capacitado entre em contato com o inconsciente mais profundo dos indivíduos. Essa é uma maneira de desbloquear os mecanismos de defesa e fazer com que a pessoa consiga “se revelar” com mais facilidade.

É claro que isso depende muito da postura de cada paciente, considerando que estar aberto é o principal ponto para o sucesso do método. Isso significa que ele deve querer o tratamento, acreditar que é uma boa alternativa e que pode levá-lo à cura.

Durante o tratamento, as sessões ajudam a minimizar os problemas. Essa é uma maneira eficiente de trazer uma nova perspectiva, fazendo com que as doenças, o medo e a tristeza tomem uma proporção menor.

Acredite: isso acontece e é fruto de uma longa reflexão a que o paciente é submetido no período que está em transe. Ele aprende que pode passar por cima e superar todas essas questões, fato que faz com que ele lute de forma ainda mais ferrenha por uma vida plena e sadia.

4. 5 dúvidas comuns sobre hipnose

Agora vamos abordar um dos momentos mais esperados dessa postagem: desmistificar alguns pontos. A maioria das pessoas já ouviu algum comentário sobre a técnica, mas poucos realmente sabem como ela funciona. Veja a seguir o que é mito e o que é verdade!

4.1. A hipnose é feita para dormir?

Embora a hipnose seja uma técnica muito voltada para o relaxamento, isso não significa que ela leve o paciente a dormir. Na verdade, como ele precisa estar suscetível à ação do hipnoterapeuta, ele pode (e deve) estar acordado, mas em um processo conhecido como transe.

Isso significa que seu inconsciente está sendo acessado, mas o paciente não precisa estar em um estado inconsciente. O ideal mesmo é que ele mantenha contato sensorial com o ambiente.

De toda forma, vale lembrar que o paciente pode dormir durante ou depois da sessão, por mais que esse não seja o objetivo principal do procedimento. Quando isso acontece, ele vai continuar dormindo até que o transe passe, quando, então, despertará naturalmente.

Por isso, o profissional deve esperar que ele acorde naturalmente, respeitando o seu tempo e não fazendo nada para acordá-lo. Pense que esse sono foi um resultado da indução ao transe e que não existem motivos para preocupação, ou seja, ele vai voltar em poucos minutos.

Além disso, vale lembrar que alguns pacientes procuram a hipnose justamente por problemas com insônia. Nesse caso, as dormidas no consultório podem representar um ótimo sinal, pois o profissional percebe que a tática está dando retorno e os problemas estão sendo resolvidos.

4.2. Posso emagrecer ou parar de fumar fazendo hipnose?

A técnica pode ser usada para deixar antigos hábitos para trás e garantir um novo estilo de vida. Algumas pessoas largaram o vício de fumar ou a compulsão por comida com a ajuda da técnica.

É claro que isso não significa que o paciente não precise fazer nada, como se o processo fosse instantâneo ou funcionasse como mágica. Na verdade, é fundamental que ele seja engajado e comprometido, pois o seu papel é muito relevante nesse processo.

Se você é o tipo de pessoa que quer ter resultados melhores nesse sentido, mas acaba sabotando os seus planos, essa pode ser uma ótima alternativa. Aquela ideia de ir para a academia que acaba ficando para o próximo dia ou aquela vontade de comer uma salada de frutas que é substituída por uma coxinha pode ser tratada com a hipnose.

Durante a hipnoterapia, é possível guiar o indivíduo para que ele se comunique de forma mais profunda com o seu inconsciente para criar uma resolução mais apropriada para o seu processo de mudança. Isso significa que o paciente é exposto a uma série de pensamentos durante cada sessão, sendo todos eles focados em fazer com que ele leve a dieta mais a sério, pratique exercícios físicos, deixe o cigarro para trás ou qualquer outro hábito que queira se libertar.

Como funciona

Enquanto está em transe, o profissional pode tratar com a mente do paciente para que ele tenha esse tipo de pensamento mais determinado e saudável. Esse é o momento de reduzir a compulsão por comidas, aumentar a saciedade, diminuir a vontade de fumar, aliviar os traumas e distinguir a fome física da emocional.

Esses são apenas alguns pontos, mas revelam o suficiente para perceber como a realidade pode ser mudada de forma completa.

Cirurgias bariátricas hipnóticas

Acredite se quiser, mas as técnicas evoluíram tanto que algumas pessoas já apostam nas cirurgias bariátricas hipnóticas. Nesse caso, o terapeuta faz um trabalho individual que leva o paciente a acreditar que aquele procedimento realmente foi realizado, contribuindo para que ele se comporte de uma forma totalmente diferente. 

Para isso, a sala do consultório explora cheiros parecidos ao de uma sala de cirurgia, junto com sons de instrumentos cirúrgicos e tudo o mais para que a experiência seja a mais factível. Ou seja, um cenário é montado para transmitir essa realidade. 

A força psicológica é tão grande que eles acreditam que isso aconteceu, reduzindo a saciedade e gerando até mesmo um desconforto ao comer grandes quantidades de comida.

O cigarro

Os procedimentos também beneficiam quem quer se libertar do hábito de fumar. Durante as sessões, é possível fazer com que o paciente externalize essa vontade, perceba como ela faz mal e encontre mais facilidade em deixá-la para trás. Com o passar do tempo, isso vai entrando tão fundo no pensamento e inconsciente que eles acabam se libertando.

A hipnose pode condicionar alguém a fazer algo que não quer?

Esse é um dos principais medos e um dos grandes mitos da prática. Muitas pessoas ficam com receio de perderem o controle quando estão em transe, podendo ser guiadas a fazer coisas que não queriam ou não fariam se estivessem sãs.

Na verdade, essa é uma grande lenda. Prova disso é que a prática é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como um instrumento para os médicos e outros profissionais na área de saúde, que podem utilizar a hipnose para atuar em questões físicas e psicológicas.

Além disso, muitas pessoas relatam que não queriam perdoar ou desapegar de suas memórias, mas por meio do procedimento, fizeram isso. Não é bem assim. O que a técnica faz, de fato, é dar uma ressignificação para certas situações, tornando mais fácil uma mudança de mentalidade.

Quem sofreu violência sexual, por exemplo, provavelmente nunca terá as memórias apagadas, mas pode lidar com a situação de forma mais amena. Depois disso, com uma nova forma de enxergar o mesmo acontecimento, ele pode mudar o sentimento e combater a causa de tanto desgaste.

Serei hipnotizado por um pêndulo

Esse é outro pensamento muito comum, mas que revela como as pessoas ainda são cheias de preconceito sobre esse assunto. Depois de ver muitos desenhos animados e acreditar em muitas histórias, as pessoas seguem acreditando que o pêndulo é o que guia a técnica.

A prática mudou muito e atingiu um perfil bem mais moderno hoje ela é feita com base na experiência imaginária. O ideal é levar o paciente a um lugar agradável onde ele se sinta confortável e seguro, pois, assim, ele consegue deixar a imaginação livre para passar pelo procedimento.

Nesse conforto, fica mais fácil guiá-lo a uma experiência libertadora — e o pêndulo não é necessário. Tudo o que precisa, em um primeiro momento, é da ajuda de um terapeuta bem formado e ético, pois ele consegue guiar esse processo com seriedade.

Para transmitir ainda mais segurança aos pacientes, é muto importante estar associado a um dos diversos Conselhos Regionais. Esse é um grande diferencial, pois ninguém quer lidar com alguém despreparado nesse tipo de situação. Hipnose não é brincadeira e deve ser feita com compromisso!

Posso ficar preso ao transe para sempre

Essa é outra dúvida muito comum e que simplesmente aterroriza algumas pessoas. Elas ficam com medo de entrar no estado de transe e não conseguir mais sair, ficando preso dentro da própria imaginação e acabando “escravo” da situação.

Embora muitas pessoas já tenham ouvido sobre esse “risco”, é bom que fique claro que ela é fora de cogitação. Uma pessoa hipnotizada não vai ficar nessa situação para sempre.

Pense que o transe pode ser guiado por um profissional, mas nós também entramos e saímos dessa situação o tempo inteiro. Ou seja, esse cenário já atinge todas as pessoas em maior ou menor grau, e faz parte da rotina de toda pessoa ativa. 

Ainda que aconteça algo com o profissional, o paciente vai abrir os olhos e sair desse estado (mesmo que não seja “chamado” para fora dele). Você entra e sai do transe hipnótico com grande naturalidade, então não existem motivos para se preocupar.  

5. Quantas sessões de hipnose são necessárias para obter resultados?

Agora que você já sabe como a prática pode ser uma verdadeira aliada e trazer muitos bons resultados para você, deve estar se perguntando quanto tempo esse investimento deve levar. É claro que não existe uma “receita de bolo”, pois depende muito de cada paciente e da complexidade do problema.

Justamente por isso, algumas pessoas conseguem superar o seu trauma com apenas duas sessões, enquanto outras precisam de 3 meses e outras ainda levam mais tempo.

Além disso, os resultados dependem muito do paciente, principalmente porque o hipnotizador não consegue controlar todas as ações. Ele pode, sim, sugerir e propor melhorias, mas cabe ao paciente aderir ou não a esse caminho.

Ou seja, no fundo, o que existe não é uma determinação, mas sim uma sugestão do terapeuta que pode ser ou não aderida pelo paciente. O segredo da hipnose e, por consequência, seus resultados, está na mente de cada um. Quem está aberto pode perceber os resultados com mais facilidade, tornando o tratamento um sucesso.

A eficácia

Vale lembrar que a hipnose clínica já teve sua eficácia comprovada. Mesmo quando comparada a outras formas de terapia, a sua efetividade é considerável e pode ter resultados ainda mais rápidos e eficazes que outros métodos quando o assunto é a recuperação de traumas dos pacientes.

Como falamos, o tratamento não tem hora certa para terminar, mas dura enquanto o paciente não perceber as melhorias que ele esperava. Se ele sofre com algum tipo de fobia, por exemplo, enquanto ele não se perceber apto para lidar com ela de forma independente, é bom que continue o tratamento.

Além disso, o tempo das sessões deve se prolongar até um pouco depois que a “cura” foi alcançada. Essa é uma maneira eficiente de evitar recaídas e consolidar os resultados, trazendo mais equilíbrio e leveza para a nova rotina do paciente.

No final das contas, não existe muita regra e o tempo pode variar muito dependendo do terapeuta, do método empregado, do compromisso do paciente e do tipo de trauma que ele pretende tratar com a hipnose.

Depois de ler esse texto ficou mais fácil perceber que a hipnose clínica é um método muito eficiente e que sua aplicabilidade é bem ampla. Ela pode ser a solução para o tratamento de diversos traumas e até mesmo doenças, o importante é contar com um profissional experiente nesse processo.

Conheça mais sobre esse assunto fascinante e trate os seus pacientes considerando sempre suas necessidades pessoais. Você vai perceber que vale a pena investir em um caminho que pode proporcionar uma alta taxa de recuperação.

Para continuar aprendendo sobre o assunto, que tal dar uma lida da nossa postagem sobre os tipos de hipnose? Nos encontramos por lá!