Mais de um quarto dos brasileiros sofre de doenças crônicas. Hoje, são cerca de 57 milhões de pessoas, apenas no Brasil, que precisam lidar com patologias permanentes e progressivas. Várias delas, ainda sem perspectiva de cura, acompanharão os doentes até o fim da vida.

Entre os pacientes, indivíduos afetados pela imunodeficiência adquirida (provocada pelo vírus HIV), diferentes formas de câncer e hipertensão arterial. Problemas renais, respiratórios e de coluna também estão entre os mais comuns em todo o mundo. E como se relacionam psicólogos e doenças crônicas? Que tipo de auxílios os pacientes precisam?

A psicologia tem um papel fundamental, não apenas para aliviar o sofrimento da grande parcela da população que enfrenta doenças crônicas — e dos seus familiares — mas também para encorajar as pessoas afetadas e contribuir para que elas continuem perseguindo sentidos nas suas vidas. Essa questão é o assunto deste artigo. Acompanhe para saber mais!

A importância de um acompanhamento humanizado

É sempre fundamental dedicar atenção às características individuais de cada paciente. Só dessa forma é possível dar a ele um suporte psicológico e emocional. Quando tratamos de seres humanos, não existem fórmulas nem manuais de instrução. Cada pessoa lida de forma diferente com seus conflitos e, quando são envolvidas doenças crônicas, também ocorrerão reações diversas.

Diferentes doenças, diferentes reações

Dores na coluna podem ser doenças crônicas. A enxaqueca também — mesmo nas suas formas mais brandas — pode acompanhar um indivíduo por toda a vida. A bronquite não tem cura, ainda que, muito comumente, ela só se manifeste na infância.

Nem toda doença crônica ocasionará efeitos traumáticos sobre a vida e o bem-estar dos pacientes. Mesmo que exijam cuidados constantes, alguns distúrbios provocarão sintomas mais brandos, sem afetar gravemente o indivíduo.

Algumas doenças muito sérias, como a hipertensão e o hipotireoidismo, possuem hoje em dia tratamentos que possibilitam ótimas perspectivas. A ciência já desenvolveu formas bastante eficientes de controlar essas doenças e contornar seus efeitos.

Ainda assim, nesses casos, muitas vezes é necessário um suporte psicológico que permita o paciente alcançar maior consciência sobre sua necessidade de tratamento.

Outros casos já exigem um acompanhamento psicológico mais cauteloso. A própria depressão e a depressão bipolar podem ser doenças crônicas ou, ainda, se manifestar em pessoas que sofram de outras patologias irreversíveis.

Distúrbios que apresentem efeitos mais acelerados exigem bastante atenção para o emocional dos pacientes.

Contextos específicos

Pacientes que começam a manifestar sintomas de doenças crônicas precisarão de ajuda psicológica distinta, relativa ao momento da sua vida.

Quando as doenças surgem ainda na infância, é papel do psicólogo atuar para a adaptação do paciente e da sua família àquela condição. Muitas vezes o distúrbio colocará a criança em uma série de situações muito diferentes daquela ideal ao seu desenvolvimento. A psicologia pode contribuir para criar o melhor ambiente possível para a infância e o crescimento.

Em outras situações, não é o momento da vida do paciente que torna a abordagem psicológica mais específica, e sim como a doença se manifesta e se desenvolve. Em algumas situações, a patologia pode ter uma progressão muito rápida, por vezes irreversível.

O psicólogo precisa, nesses casos, se aproximar do drama do paciente e da família, contribuindo para seu entendimento existencial, para a aceitação de tratamentos possíveis e, até mesmo, para uma compreensão menos dolorosa de um destino inevitável.

Os mecanismos de defesa

Ainda que cada reação às doenças crônicas seja única, alguns comportamentos são identificados com grande frequência. Ter que encarar um diagnóstico sem cura leva o paciente a refletir sobre aspectos muito complexos como sua própria existência, suas perdas e sua morte.

Diante desse quadro, ele pode disparar alguns mecanismos de defesa que o ajudarão a lidar com suas angústias. Alguns dos mais comumente apontados são:

Regressão

Algumas enfermidades afetarão a independência dos pacientes. Por consequência das doenças crônicas, pode-se necessitar de cuidados mais constantes.

Nesses casos são comuns os mecanismos de regressão, quando o paciente assume uma postura infantilizada, embarcando em um jogo de atenção e cuidados. Esse tipo de reação pode ser extremamente delicada dentro do âmbito familiar.

Negação

Nota-se bastante a negação de alguns quadros essencialmente relacionados ao psicológico, como a dependência química e a própria depressão. Mas o mecanismo de recusa também se apresenta em outras doenças crônicas, independentemente de terem ou não sintomas muito facilmente detectáveis.

Negando o diagnóstico o paciente também recusará tratamentos, o que pode ocasionar uma progressão mais acelerada do seu distúrbio.

Intelectualização

Aceitando seu diagnóstico, o paciente pode adquirir uma postura de investigação, explorando ao máximo os conhecimentos sobre a sua doença, sua condição pessoal e suas perspectivas. Esse mecanismo pode ser bem direcionado, mas o paciente corre o risco de adquirir um comportamento obsessivo.

Os psicólogos e doenças crônicas: caminhos possíveis

Nem sempre a ciência é capaz de curar. Você, psicólogo, raramente pode solucionar os problemas dos seus pacientes. Mas caberá a você, sim, acompanhá-los nas suas jornadas e apoiá-los, ajudando a combater suas dores e seu sofrimento.

Vivenciando os estágios emocionais de pessoas que sofrem de doenças crônicas, a psicologia pode contribuir muito para apaziguar angústias, conflitos e aflições.

Conviver com uma doença que não tem cura não deve significar render-se, abdicando de sonhos e objetivos. Por mais grave que uma patologia seja, por mais cruel o seu diagnóstico, o paciente precisa sempre contar com o acompanhamento psicológico em busca de um caminho menos doloroso.

Afinal, a condição de todos na vida é temporária e a existência, ainda que não seja uma constante, deve ser uma experiência total, ampla e prazerosa.

A finitude do ser provavelmente será para sempre a mais complexa das questões humanas. Ter uma doença crônica, muitas vezes, significa lidar de maneira muito direta com esse difícil conflito existencial.

São situações de instabilidade psicológica e emocional, em que toda a equipe médica, o meio social e familiar exigem atenção do psicólogo. É ele quem poderá direcionar todos para um tratamento mais humanizado e para uma melhor comunicação entre o paciente e os demais afetados.

A relação de psicólogos e doenças crônicas é complexa, mas existem muitos caminhos a serem desenvolvidos. Nosso blog aborda outras questões relacionadas, como a Hipnose Ericksoniana, um recurso valioso, especialmente para a psicologia.

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