Muito se fala hoje em dia sobre a depressão. Tempos mais compreensivos e plurais têm trazido discussões mais abertas sobre a doença e sobre como tratar a depressão. Tem-se percebido a relevância de disseminar o esclarecimento a respeito da condição, tanto para instruir quem passa por ela quanto para quem lida com um depressivo no cotidiano.

Entre o público de psicólogos, é extremamente importante ter um aprendizado constante a respeito dos tratamentos para curar a depressão, uma vez que casos da doença têm sido dos mais corriqueiros no cotidiano do atendimento psicológico. Assim, saber identificar e abordar esse tipo de situação adequadamente é fundamental.

No post de hoje, vamos falar sobre alguns dos pontos principais a respeito da depressão e dos tratamentos mais utilizados em relação a ela. Confira!

Depressão versus tristeza

A tristeza é uma reação emocional tão habitual quanto a alegria, a raiva, o otimismo, a ansiedade diante de situações incertas e a motivação para enfrentá-las, por exemplo. Há momentos em que a mente humana precisa abrir mão do controle para recuperar suas forças e se reerguer.

Esses são os momentos de tristeza. Geralmente eles possuem ligação direta com um fato ou contexto específico, causam desânimo e permitem uma volta às condições normais quando a situação se resolve. São estados de ânimo.

Considere o término de um namoro ou a perda de uma oportunidade profissional. Elas podem causar uma tristeza duradoura, mas não necessariamente a depressão, por mais que às vezes seja necessária alguma ajuda externa para ajudar o indivíduo superar a questão.

A depressão exige mais do que isso para ser diagnosticada, e, consequentemente, tratada.

A depressão é duradoura

Primeiramente, a depressão não se inicia por uma causa específica. Ela já existe por predisposição no indivíduo depressivo, e se desenvolve ao longo de sua vida de modo natural ou desencadeada por fatores externos. Uma pessoa depressiva pode pensar que sua doença se iniciou pelo fator X, mas, na verdade, ele foi apenas um catalisador.

Sendo dessa forma, seus sintomas se manifestam de modo constante e, muitas vezes, não ligados a uma causa específica. Além disso, ela pode afetar cada indivíduo de modo diferente, a depender de seu grau e das funções do corpo humano que ela ataca. Ter isso claro ajuda o psicólogo a buscar os tratamentos para curar a depressão mais eficientes.

A depressão age inibindo a absorção de hormônios responsáveis pelo prazer e recompensa (serotonina), ânimo e motivação (dopamina) e qualidade do sono (melatonina), especialmente.

Essa atividade hormonal anômala desencadeia reações diversas no corpo e na mente, como tristeza persistente, desmotivação, stress, ansiedade, perda de prazer em atividades habituais, e até dores psicossomáticas ou pensamentos suicidas. Isso gera efeitos secundários, como isolamento social e estagnação profissional.

Considera-se como tratamento para curar a depressão aquele que visa reduzir os seus sintomas no indivíduo, uma vez que ainda não foram identificados modos de tratá-la diretamente. Tratamentos comumente utilizados passam por medicamentos e sessões de terapia, e a seguir falaremos a respeito deles e de mais alguns.

Tratamentos para curar a depressão

1. Hipnose clínica

Os benefícios da hipnose no tratamento psicológico têm sido evidenciados cada vez mais pela neurociência, seja por meio da análise de fatores inconscientes que determinam o ânimo do paciente, seja agindo diretamente em funções de seu corpo.

Michael D. Yapko, uma das maiores referências na terapia por hipnose em casos de depressão, cita em um texto de sua autoria que, por meio de intervenções nada invasivas o psicólogo pode induzir seu paciente a lidar melhor com os sintomas da doença.

De acordo com o doutor, a técnica pode levar a pessoa depressiva deixar de reagir com ansiedade sobre fatos que a preocupam, reduzindo seu stress e melhorando a qualidade de seu sono. Além disso, pode ajudar a administrar dores psicossomáticas e afastar pensamentos indesejados, o que pode salvar uma vida.

Portanto, ao focar de maneira correta nos sintomas da doença, a hipnose pode contribuir para neutralizá-los e impedir que evoluam. Essa evolução pode causar níveis ainda maiores de isolamento e desmotivação ao impedir a condução normal da vida do paciente, e a hipnose por evitar tudo isso.

2. Medicamentos

Desde que a depressão começou a receber seu valor como uma doença e não como um mero estado de espírito, a indústria farmacêutica começou a se movimentar para apresentar suas propostas de tratamentos para curar a depressão.

Portanto, para cada grau de depressão e cada grupo de sintomas, há remédios específicos. Os mais comuns atuam facilitando a absorção da serotonina pelo corpo, outros a dopamina, e em geral são combinados com ansiolíticos.

Muitas das críticas atuais à psiquiatria é o fato de que ela se desenvolve tradicionalmente em torno da medicação do paciente. E, realmente, uma terapia contra a depressão concentrada em remédios não é de fato uma terapia.

Um dos principais efeitos negativos desse tipo de prática é o paciente se considerar curado dentro de poucas semanas, ao sentir os efeitos imediatos do remédio, e parar de tomá-lo. Isso pode gerar o retorno dos sintomas de modo ainda mais forte e em nada contribui para que ele descubra as causas que fazem sua depressão se manifestar.

3. Sessões de terapia

Aliar sessões de terapia ao uso de medicamentos é essencial para que o depressivo seja orientado devidamente sobre o que está passando e sobre como conduzir sua vida de uma forma mais saudável. Tanto psiquiatras quanto psicólogos podem praticá-la, mas, em geral, são os últimos que o fazem.

A terapia é essencial para evidenciar todas as frentes em que a depressão se manifesta no indivíduo e apontar caminhos para contorná-las. Pode ser que passe pela melhoria de relacionamento com pessoas próximas, ou que sejam evidenciadas causas específicas do desânimo que fazem os sintomas evoluírem. A conversa com o profissional é um primeiro passo necessário.

4. Reorganização de hábitos

Quando falamos de reorganização de hábitos como um dos tratamentos para curar a depressão, não podemos nos ater apenas à prática de exercícios físicos. De fato, seus benefícios para a melhoria da saúde mental por meio de liberação de hormônios e de incremento na disposição são incontestáveis.

Mas, temos que ir um pouco além. É importante que um profissional diagnostique quais hábitos têm sido prejudiciais aos sintomas da depressão no indivíduo.

Pode ocorrer que priorizar o trabalho em detrimento do relacionamento com a família ou amigos seja a preocupação, ou que não se tem dado a devida importância a atividades prazerosas e recompensadoras, ou mesmo que não se tem dormido bem o suficiente.

Uma reorganização assim passa por etapas. Por exemplo, de nada adianta o incentivo a atividades prazerosas se a pessoa não tem sentido qualquer estímulo nelas. É trabalho do terapeuta diagnosticar essas questões e ajudar a propor soluções.

São vários os tratamentos para curar a depressão disponíveis, e é impossível fornecer uma fórmula que funcionará com todos os depressivos. No entanto, as práticas que listamos acima podem e devem ser ajustadas de acordo com os sintomas do paciente, tratando-os da forma mais personalizada possível.

Gostou de nossas dicas? Já tinha ouvido falar sobre a hipnose clínica no tratamento da depressão? Quais outros métodos você acha eficientes? Não deixe de comentar, queremos saber sua opinião!