Falar uma hora sobre física quântica a uma plateia lotada de desconhecidos durante uma hora pode ser surpreendentemente mais simples do que responder a pergunta “Quem é você?” sem gaguejar ou recorrer a histórias e titulações. Isso acontece porque grande parte das pessoas não se conhece realmente e tem uma versão distorcida sobre o que as move e limita no dia a dia.

No entanto, ter um bom autoconhecimento é fundamental para entender as motivações por trás das reações às situações que enfrentamos e se adaptar melhor às exigências impostas a nós. É sair do instinto e passar para uma ideia de compreensão e entendimento de ações.

Indagações a respeito deste tema não são nem um pouco novidade. Já na antiguidade, Sócrates profetizava uma das frases que até hoje são usadas em seminários e cursos de autoconhecimento: “Conhece-te a ti mesmo”. Séculos depois, as dúvidas continuam as mesmas, mas os métodos de autoconhecimento evoluíram bastante!

Neste post vamos entender um pouco do que é o autoconhecimento e como ter uma boa noção dele pode melhorar a sua vida pessoal e profissional. Confira!

Afinal, o que é autoconhecimento?

O autoconhecimento é a capacidade de olhar para si e entender porque agimos de determinada maneira em diferentes situações. É entender as motivações que nos levaram a pensar, agir e sentir daquele jeito diante de um estímulo qualquer.

A grande dificuldade desta ideia é que o autoconhecimento está intimamente ligado a uma parte que é raramente acessada pelas pessoas: o inconsciente. Teses do pai da psicanálise Sigmound Freud dão conta que todas as nossas reações e condutas em geral são consequências diretas de memórias e sentimentos presentes em nosso inconsciente. Nossas lembranças ficam guardadas ali e são acessadas de acordo com provocações que recebemos no dia a dia e nos fazem ter uma reação quase previsível uma vez que entendermos o porquê delas.

Por isso, uma ideia básica do autoconhecimento não é apenas indicar padrões de comportamento e identificar reações às situações. É ir a fundo e entender o porquê de reagirmos desta maneira, o que dentro de nossas experiências passadas foi responsável por aquele pensamento e como ele pode afetar nossas decisões futuras.

Por que é importante se autoconhecer?

Entender com precisão o que faz determinada conduta existir, como os pontos positivos e negativos influenciam cada ação, decisão e comportamento é o primeiro passo para melhorar e ou diminuir traços da nossa personalidade. É se ter mais autocontrole do que se é, uma clareza maior de como agimos e, assim, conseguir respeitar mais as vontades e limitações de cada um. Desta maneira se sabe melhor o que se quer e o que não se quer, o que é necessário e prioritário fazer e o que pode ser dispensado.

No âmbito pessoal, o autoconhecimento auxilia na percepção de quem realmente se é e o que realmente se quer ser. Sabendo isso é possível guiar decisões, planejamentos e objetivos de forma mais certeira e realizadora. Ele também garante uma melhora da autoestima e independência, uma vez que nos tornamos menos suscetíveis a intervenções e conselhos de outras pessoas a respeito de nós mesmos.

Já na esfera profissional, ter um bom autoconhecimento permite que se desenvolva habilidades e competências necessárias para o dia a dia profissional. Além disso, permite um entendimento e controle melhor das nossas emoções, intransigências e foco.

Conheça algumas técnicas de autoconhecimento

A quantidade de informações descobertas é enorme e, às vezes, tirá-las do estágio de emaranhado e transformá-las em conexões com sentido exige paciência e muita força de vontade.

Em algum momento do processo de autoconhecimento será necessário a ajuda de uma outra pessoa. Isso porque raramente conseguimos olhar de forma verdadeiramente isenta para nós mesmos. E muito da percepção de quem nós somos vem dos outros. Ou você nunca teve um amigo apontar um traço da sua personalidade que você jamais percebeu e que muitas outras pessoas concordam?

Para ajudar nesse início, separamos algumas técnicas simples de autoconhecimento para você testar:

  • Escreva ou conte quem você é

Aqui a ideia é ter uma percepção inicial de quem você é. Mas retire das possibilidades de descrição títulos, empregos, cidades e pessoas. Pense em sentimentos, atitudes e vontades. Analise quem você é ao invés do que você faz, o que você estudou ou o que você têm.

Por exemplo: “Sou uma pessoa carinhosa, mas sinto ciúmes e irritação quando não sou correspondida com os mesmos tratamentos. Tenho o sonho de conhecer o mundo, me sentir livre. Me motivo ao ser desafiada, assim como quando consigo realizar algo que julgava impossível”.

  • Faça uma lista de características

Escolha dez traços da sua personalidade que você considere boas e dez defeitos. Por incrível que pareça, a segunda lista provavelmente será preenchida com muito mais facilidade, porque somos condicionados a não percebemos nossas próprias qualidades por acreditar que isso denota egocentrismo ou pretensão.

  • Desenhe uma linha do tempo

Quais momentos foram marcantes tanto positivamente quanto negativamente na sua vida?  Desenhe em um papel uma linha do tempo com todos (ou quantos conseguir) que de alguma forma o marcaram e se tornaram importantes ao longo da sua vida. Depois, analise o porquê daquelas cenas serem tão valiosas para você. Foram os sentimentos que despertaram? As suas consequências no seu futuro? A percepção à época de algo que se tornaria fundamental?

Em um segundo momento crie um paralelo entre algumas dessas memórias e as suas reações a situações mais recentes. Elas eram semelhantes? Os sentimentos trazidos à tona foram iguais? Por quê? O que mudou?

  • Busque feedbacks

As pessoas ao nosso redor podem ser importantes ferramentas para descobrirmos características e comportamentos que mostram aos outros sem nos darmos conta. Por exemplo, é comum sentirmos que somos ótimos ouvintes para nossos amigos. No entanto, um familiar ou amigo próximo pode nos mostrar que, na realidade, sempre invadimos as histórias alheias com comentários e incidentes que aconteceram conosco e não os deixamos concluir.

Converse com algumas pessoas próximas a você e pergunte como elas lhe veem, o que você desperta nelas e como quais são as suas atitudes e comportamentos mais marcantes. Você também pode cruzar esses feedbacks com a lista de características tanto boas e ruins que você acredita que mais o descrevem. A sua percepção coincide com a maneira como os outros lhe veem?

  • Perceba e questione seus comportamentos

O grande inimigo do autoconhecimento é o ignorar que o nosso inconsciente que determina boa parte das nossas ações. Por isso, questione-se sobre os sentimentos que você tem em determinada situação (quando algo o amedronta, o enfurece, o indigna, o desafia). Avalie porquê de algo ter lhe incomodado tanto ou lhe alegrado tanto, o porquê você está insatisfeito em um trabalho ou cenário, o que está lhe motivando ultimamente, o que você deseja para o seu futuro, o que você menos gosta em você e porque você quer mudar essa característica.

Nessa esfera é interessante dividir a sua vida em setores ao invés de buscar decifrá-los todos de uma vez. Pense primeiro em aspectos profissionais, depois familiares, de relacionamentos, sonhos, lazer e sentimentais.

  • Coaching e terapias

Para respostas mais profundas, é recomendado a busca por um profissional que auxilie no seu processo de autoconhecimento. Terapeutas, psiquiatras e coachings são as principais ferramentas disponíveis para entendermos a fundo o nosso comportamento e as nossos sentimentos.

 

Você conhece outra técnica de autoconhecimento que não comentamos acima? Deixe a sua resposta nos comentários!